terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Riscos

Maria José BritoÀs vezes sento-me no parapeito da minha janela do décimo sexto andar para fumar um cigarro e insistir com o meu pensamento que uma e outra coisa podem fazer percepcionar riscos demasiadamente fortes.

Faço-o conscientemente sabendo que um desequilíbrio será tão fatal como o cigarro que fumo, embora a queda seja menos provável que o cancro. No entanto todos se preocupam ao ver-me sentar no parapeito e os poucos que se preocupam com o cigarro fumado sobressaltam-se mais com o incómodo que lhes faço do que com aquilo que, garantidamente, me irá provocar a morte.

Estranho porque a possibilidade de cair do parapeito é tão remota como a de cair da cadeira onde me sento para lhes escrever este texto.
LNT
[0.033/2011]

5 comentários:

Alberto Ó disse...

A percepção da queda não é para todos. Se a maioria tivesse queda para a queda, o negócio dos elevadores finava-se.

fatbot disse...

... escrita "alternativa" no seu melhor!!! Já tinha saudades !!! Já agora não fume nem se sente na janela ... que tal uma peça de fruto olhando a paisagem mas "bem" sentado?! Um abraço

(c) P.A.S. disse...

Os riscos têm destas vantagens e exponenciam a verve.
Muito bem sr. Barbeiro, os tempos estão maus, mas nota-se um fôlego upgrade de muita qualidade.
Afinal estar à janela de um décimo sexto andar limpa os pulmões do cinzento acre de qualquer baforada.
E em complemento ainda se socializa com os passarinhos que restam da emigração para lugares de bom vento.

Miguel Pereira disse...

Às vezes, é preciso recuperar o espanto para... ver!

Anónimo disse...

Equilíbrio instável...
Vais cair!