quarta-feira, 20 de abril de 2011

We all live in a yellow submarine

TridenteA argumentação de que estávamos em desafogo quando Portas se meteu a fazer o negócio dos submarinos é tão válida como o lastro das contrapartidas que na altura fez questão de insinuar.

Faz-me lembrar aquelas coisas que o guru Medina diz, depois de se ter lambuzado toda a vida no pote de mel, enquanto chupa os dedos para ver se arranca o ferrão da abelha-mestra que ajudou a matar. Ou os mega sonhos dos patos-bravos e das gentes do betão e do aço.

São as chafurdices habituais de quem sempre se safou, governando-se com o esforço de todos aqueles a quem hoje apontam o dedo dizendo-lhes que têm de mudar de vida para que eles usufruam o direito adquirido per omnia saecula seculorum, ou até que o mafarrico os leve.

Os desperdícios dos tempos de “desafogo” foram a causa do nosso sufoco de hoje. Se os tivessem rentabilizado e lhes tivessem dado utilidade poderíamos ser muito mais felizes.

E na loucura pedimos sempre mais para pagar o que pedimos anteriormente. Uma espécie de suicídio colectivo que vai acumulando juros com empréstimos. A lógica das “engenharias financeiras” que tanto varreram para debaixo dos tapetes que agora impossibilitam que se lhes passe por cima.

Vivemos num submarino amarelo despressurizado e em águas profundas a aguardar que o peso da coluna de água não escancare a lata que percepcionamos protecção da inevitável morte afogada. Ou largamos os contrapesos para emergir ou vamos (com eles) servir de repasto dos tubarões.
LNT
[0.136/2011]

3 comentários:

Utópico disse...

Chama-se a isto demagogia, pois os que criticam obras ditas faraónicas, como o TGV e o novo Aeroporto, são os mesmos que aprovaram o gasto de rios de dinheiro nos submarinos, não fiscalizaram devidamente a concretização das contrapartidas, em processos de duvidosa transparência e gastos de recursos em fotocópias.

Não quer dizer que esteja de acordo com o TGV, que me parece excessivo, nomeadamente no troço Lisboa-Porto, inicialmente previsto (não sei se foi definitivamente cancelado) depois dos elevados investimentos na linha do norte, mas quanto a um novo aeroporto parece-me de extrema utilidade face ao risco da sua actual localização.

Eles criticam mas têm a memória curta, muito curta mesmo.

fatbot disse...

No meio de tanta desgraça a única salvação é o submarino ser AMARELO!!! Mas também não é amarelo ... portanto nada se salva!!! Só asneiras! Só LOUCURAS não assumidas ... uma TRISTEZA!!!

Roxo d'inveja disse...

é o maníaco-depressivo que há na alma lusa a saltar para o depressivo extremo com uma pitada de importação na metáfora