segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A carniça e os ossos

Sanita PionesNos tempos em que se chamavam os nomes tradicionais às coisas dir-se-ia que o BPN foi um negócio da China. Nos tempos que correm chama-se negócio de Angola.

Despachou-se a salganhada ruinosa por 40 milhões sendo que o "custo do Estado com o BPN, descontando do preço de venda, ascende nesta data a cerca de 2,4 mil milhões de euros", com uma salvaguarda de brincadeira e acrescentando à ruína uma responsabilidade a prazo para o Estado dos "custos com a eventual cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores das agências e/ou centros de empresa que venham a ser encerrados ou reestruturados num prazo máximo de 120 dias após as transmissões das acções".

O BPN foi, e continua a ser, um negócio maquiavélico para os contribuintes. Todos nós tivemos (e temos) de acarretar com os desfalques, com a má gestão, com os amiguismos, e com as outras trafulhices de toda a espécie, incluindo os favorecimentos de excepção, para que alguns lá fossem buscar aquilo a que agora, por serem "poupanças", se isenta de contribuição especial.

Este negócio acaba na mesma pouca-vergonha que o fez ser uma contaminação sistémica dos impostos que nos são exigidos com agravo sistemático e deixou a rir, na impunidade, quem se encheu “legalmente”.

A expressão "uns comem a carne e os outros roem os ossos" nunca foi tão bem empregue.
LNT
[0.315/2011]

5 comentários:

luis reis disse...

Tudo resultado de gente verdadeiramente "socialista",Sócrates e o Vitinho....
Claro que,agora fica o MIGA E "COMUNA" ANGOLANO, a controlar a coisa.
Mas é eternecedor escutar o silêncio,de toda a "sociedade",todos a assobiar pró lado.O nojo que é ter a visão dum ranhoso como o MIGA.Todo ele sorridente,apresentando-se como um "salvador",imagine-se, de postos de trabalho no BPN.Até a merda do tempo não ajuda...dass!

Luis Novaes Tito disse...

Luís Reis,
É evidente que existem responsabilidades políticas do Governo anterior, mas essas prendem-se com a decisão de nacionalização do BPN.

O que acontece é que o que verdadeiramente está em causa não é a nacionalização mas os factos que levaram à nacionalização e esses são estranhos à governação anterior, como sabe.

O BPN foi parar às mãos do Estado em resultado das acções de dolo gravíssimas da administração do BPN e também por incompetência da entidade reguladora.

Quanto à conclusão do processo e ao acordo de venda agora determinado, a responsabilidade recai sobre os actuais detentores do poder uma vez que foram eles que validaram as cláusulas do contrato.

Sócrates pode ter as costas largas mas não lhe podem ser imputadas todas as culpas do Mundo. Está muito claro quem são os envolvidos.

menvp disse...

Democracia verdadeira, já!

Leia-se: DIREITO AO VETO de quem paga (vulgo contribuinte):
- blog fim-da-cidadania-infantil.
{um ex: a nacionalização do negócio 'madoffiano' BPN nunca se realizaria: seria vetada pelo contribuinte!}

C.C. disse...

Então digam-se os nomes sem medos ou preconceitos.
E depois, julguem~se.
E depois metam-se na cadeia.
E depois ficamos sem o dinheiro na mesma, mas ficamos mais consolados.
A satisfação que isso me dava!!!!!!!!

Luis Novaes Tito disse...

CC
Os nomes são conhecidos. A questão é que só um está detido, ou coisa que o valha, e mesmo esse, por este andar, há-de morrer sem acusação.

Entretanto continuam as negociatas. Até eu gostava de fazer um negócio de compra de uma qualquer coisa em que tivesse de pagar 40 se me dessem 550 e mais uns trocos.

Esta gente já nem sequer tem vergonha na cara. Extingam aquela porcaria e acabem com o saque. Já agora, acusem quem tem de ser acusado e julguem-nos. Deixem de brincar com quem anda a pagar tudo isto.