quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O mitomaníaco


Percebe-se que Passos Coelho possa dizer as coisas que diz sem se rir. Percebe-se também que o discurso de Passos Coelho feito ontem no Pontal possa conter frases mentirosas ditas com o mesmo ar com que ele, em campanha, garantiu à miúda que o abordou que nunca cortaria subsídios de férias ou de Natal.

Leio na Wikipédia que:

A mitomania (ou mentira obsessivo-compulsiva) é a tendência patológica mais ou menos voluntária e consciente para a mentira. Normalmente, as mentiras dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos, porém podem ser ampliadas e atingir outros assuntos em casos considerados mais graves...

...Justamente pelos mitómanos não possuírem consciência plena de suas palavras, os mesmos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e práticos, com o intuito de suprirem aquilo de que falta em suas vidas. É considerada uma doença grave, necessitando o portador dela de grande atenção por parte dos amigos e familiares.


E a Wikipédia diz ainda mais sobre mitomania.

Vão lá ver e, depois de reouvirem a discurseta de Coelho (se conseguirem), preparem uma tese porque possivelmente será aceite para equivalência a doutoramento.
LNT
[0.373/2012]

3 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

E eu a pensar que aquele tipo que estava a discursar era um marciano! Tenho de pedir desculpa aos homens verdes que não têm culpa nenhuma...

miguel disse...

Enquanto o arroz cozia, o PM dedicou-se a reforçar o discurso moralista e sobre a frugalidade (para os outros porque as listas de boys com subsídios de férias e Natal e outras mordomias, vai lá vai), a prognosticar infundadamente o início da recuperação económica para 2013 (quando já tinha feito semelhante promessa para o corrente ano - aliás lembram-se que bastava que o novel parisiense libertasse a poltrona e se cortassem umas “gorduras” e tal para alcançar tal desiderato) e a informar-nos que o número inesperado (?) de desempregados se deve exclusivamente ao "regabofe" despesista do passado porque a austeridade musculada imposta nos últimos tempos em nada contribuiu. Pelo contrário, foi geradora de imensas oportunidades para as pessoas mudarem de vida, de país ou se tornarem empresários com o capital de que não dispõem e que ninguém lhes empresta. Aproveitou ainda para graciosamente nos informar que a prometida recuperação será baseada em mais austeridade forçosamente regeneradora e inerentemente necessária e sã. Como culminar da sua gostosa intervenção teve a delicadeza de nos dizer que será através da sua maviosa voz que saberemos quais as medidas que compensarão a desfaçatez daqueles perigosos esquerdistas antipatriotas do Tribunal Constitucional que ensandecidos, insistem em fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Ficámos mais convictos da sua determinação em cumprir todas as metas acordadas e em efectuar o programa de desvalorização interna a que estamos comprometidos, ainda que para isso se destrua o que resta do nosso poder de compra, da nossa estrutura produtiva e consequentemente da nossa débil economia. E tudo porquê? Porque “não há alternativa”, segundo a sua minguada visão e dos que como ele beberam da água tóxica de Chicago, servida por agentes da oligarquia como Milton Freeman e Lugwig von Mises. Parece que até Madame Lagarde, fez curas de desintoxicação de tais venenos com água Perrier que carrega amiudadamente no seu Louis Vitton. Mas isso ainda cá não chegou. Levamos sempre tempo a copiar as modas de Paris.
Foi portanto um discurso carregado de fé (e por consequência esvaziado de razão) e de um optimismo infundado e ofensivo que tanto gostava de criticar no seu antecessor. Deve ser algo pegadiço que se apanha nas cadeiras de S. Bento. Na minha humilde opinião como discurso político mobilizador foi um rotundo fracasso - como aliás se pode comprovar pelo reduzido entusiasmo dos seus correligionários. Já como peça de stand up comedy esteve em excelente plano. Espero pelo menos que o arroz estivesse bom…

Anónimo disse...


Com licença do senhor Barbeiro, gostaria de dizer ao Miguel que o comentário dele é uma delícia.
Tivesse eu a sua arte e teria escrito o mesmo. Tal e qual.
Dulce Oliveira