segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os magos a caminho de Belém

Pé peregrinoA coisa mais interessante de alguns espécimes da Humanidade é a capacidade de se enrolarem, tentando enrolar-nos. Há humanos mais enrolados do que outros mas em Portugal a tendência dos enrolados para se desculparem com o seu enrolado aproxima-se da magia.

Digo magia porque só magos se dirigem a Belém para entregar mirra e incenso, que do ouro que desbarataram nada ficou para oferecer, num enrolanço de fazer crer que o estado demoníaco em que nos encontramos não faz parte das suas incapacidades passadas o que, mesmo em tempos do sobrenatural que proporcionam a Jesus não ser pregado na Luz e a Sua Santidade visitar-nos apesar da nuvem de enxofre expelida pelo fogo eterno, lhes garante lugar entre os alquimistas capazes de boa moeda.

Se esta gente, estes magos, tivessem vergonha na cara e conseguissem perceber que a sua quota parte de responsabilidade levou o País às portas da miséria, se se lembrassem que a condição que os leva a Belém com a mirra no bolso e o perfume do incenso é exactamente a de terem sido Ministros do descalabro das Finanças, seguiriam melhor para Fátima, e de joelhos, para pedirem perdão e sem pretensões de nos darem mais um sermão.
LNT
[0.170/2010]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Maio, mês das flores

Aníbal AfonsoDepois de uns dias recolhido na penumbra, que o Sol não está para brincadeiras, saio à rua para retomar a actividade e o stress e, tal como nos anos anteriores por esta altura, descubro que elas, as que hibernam no Inverno, voltaram a desabrochar.

Não babo, que ainda não cheguei aí, mas espanto-me por verificar que não há crise que as maltrate e pelo poder que a natureza tem para as fazer sair dos casulos onde se escondem quando o tempo está de borrasca e as espevita após o equinócio vernal sempre que os ares condicionados lhes acertam um sopro mais fresco.

Aí estão de novo. Saltitantes nas corridas para a lufa-lufa e generosas na inclinação.
LNT
[0.168/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXVII ]

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Tecnologia - Interface - Portugal
LNT
[0.167/2010]

terça-feira, 4 de maio de 2010

Engavetados

Salvador DaliAs notícias não são grande coisa. Trinta e seis anos não são muito tempo mas, se em vez de termos andado a guardar na gaveta as verdadeiras soluções as tivéssemos posto em prática, possivelmente a falta de notícias seria a nossa melhor notícia.

É verdade que as democracias sociais do norte da Europa não são grande notícia.

Por lá vive-se razoavelmente bem, os níveis de desenvolvimento não são maus, ninguém lhes aponta o dedo como se aponta a uma formiga que se quer esmagar e o estado social é bem tolerado. Eram modelo há trinta e seis anos, talvez o tempo suficiente para ter formado sem preconceitos doutorais e ter dado a gente que agora tem quarenta e seis anos uma preparação cívica suficiente que lhes tivesse permitido criar os filhos com horizontes mais abertos, como se estivessem num País próspero.

Maldita gaveta.
LNT
[0.166/2010]

domingo, 2 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Escrever

Livro da 1ª ClasseJá se vêem por aí os mestres da escrita. Dizem que a coisa deve ser fluente, de leitura fácil, curta, sem palavras para além do palavrear corrente e sem leituras para lá daquilo que se quis escrever.

Ignorante destas coisas, barbeiro de profissão e tacanho por inerência insisto, quando escrevo, porque também há o não escrever por vontade própria e não por preguiça, que esta coisa do escrever tem dias e se em alguns se rebusca no segundo ou décimo sentido, noutros, quando a vontade de escrever é mais do que a do lazer, ou simplesmente não escrever, a escrita pode não ser mais do que isto de dizer aos mestres que estamos fartos deles.

Não meus caros leitores, clientes, ou o que quer que sejam desse lado de lá, não é um arrufo de mau feitio e de ausência. Não é uma justificação para o pouco que aqui se tem escrito, mas somente um desabafo, talvez mais cansado do que desiludido com o passar do tempo que nada faz passar.

Mas fartam estes mestres sem discípulos.

Isto é um espaço de criatividade e de irreverência. Um caderno de apontamentos, diário intermitente, passatempo, desassossego e intranquilidade.

Assim manda a liberdade e a criatividade, longe do ter de... e das regras da escola do saber.

Sempre grato aos muitos milhares, talvez só alguns muito frequentes, que se sentam nestas cadeiras e inclusive se zangam com a falta de letras.
LNT
[0.164/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXV ]

Sr. Peixe
Sr. Peixe - Parque das Nações - Lisboa - Portugal
LNT
[0.163/2010]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

puff!

Formiga

Triste sina, a das formigas.

Depois de terem expulso a casta maior para os campos da Argentina, entre churrascos de picanha e de filé, padecem esmagadas por um polegar mais robusto assim que tocam a pele de um homem.

Até para elas a realidade é tramada, acreditem!
LNT
[0.158/2010]

Das barbas e dos barbeiros

João Espinho - BarbeiroDizia o Pedro Correia, aqui há uns dias, que a abertura democrática em Cuba era evidente perante a liberalização e a privatização das barbearias, desde que não tivessem mais do que três cadeiras. Quer isto dizer que, se esta barbearia estivesse sob o manto democrático cubano e dado que nela existem quase 300.000 cadeiras (exagero do sitemeter), não lhe restava outra solução senão a estatal e aqui andaria este miserável barbeiro, que nada ganha com isto a não ser amores e ódios dos seus clientes, às ordens de um qualquer Bernardino, ou quejando.

O escrito de PC (Pedro Correia, leia-se) fez-me deixar lá um comentário a informar que haveria de pegar no assunto, mas agora que o assunto fica presente, apetece-me só dizer que a grande democracia de Cuba e o povo cubano mereciam mais dos manos Castro.

Merecia, por exemplo, que deixassem barbeiros como Yoani Sánchez cortar a eito o cabelo de cabeludos sem que lhe travassem a tesoura.

É que, até mesmo os últimos dinossáurios, merecem ser devidamente escanhoados e tosquiados sem que o Estado intervenha.

Por este andar, ainda havemos de ver, em Cuba, policiais armados em políticos e uma Assembleia Nacional a fazer o papel interrogador de uma polícia política (mesmo que encalhada, como diz o barbudo nacional).
LNT
[0.157/2010]