- Olá Sr. Luís, soube que ontem andou por bandas da margem direita onde confluem águas bravas, mar sem fim, a rapaziada da Quinta da Marinha e as conspirações novas-ricas do Porto de Santa Maria.
- Bem-vinda Senhora Dona Janita. Em primeiro lugar um agradecimento à bondade que me dispensou no seu Cantinho. Trouxe-lhe um pé de erva-príncipe para um chazinho. - Dito isto o barbeiro desapareceu por uns instantes para ressurgir com dois copos altos cheios de chá frio temperado com uma gota de Gin. – Isto é um refresco bom para a azia e estou a pensar comercializá-lo num boteco de que sou sócio ali para os lados do Convento das Trinas. Além do mais é uma mezinha analgésica, antidepressiva e antibacteriana e combate a transpiração e o pé-de-atleta o que a transforma numa janela de oportunidades naquela zona.
- Bem precisa deve ser por lá, Sr. Luís, mas deixemos de lado as negociatas futuras que o tempo é de encher os pulmões e vem aí um fim-de-semana perfumado com as sardinhas em fim de Santos e com os odores expelidos pelas Damas da Noite que já fazem antever as caipirinhas no Maré Alta, os figos com presunto e mel na Noélia e as tiras de choco frito do Pedro de Cabanas. Conte-me lá o que espera deste Verão.
- Vai ser coisa calma, amiga Janita. Entre o calça-descalça do barco para a ilha, o empurra-não empurra do passadiço para a praia, o chega-e-parte dos familiares que vão estar só uns dias, o espera-não espera para arrefecer a casa de banho do duche anterior, o mói-não mói do gelo das caipiroskas e gins que antecedem o jantar, o talha-não talha das maioneses que acompanham os coze-não cozas demasiado as gambas da dona Margarida e o parte-não parte as unhas e o corta-não corta as mãos nas cascas das ostras que teimam em não ser vendidas já abertas e com limão, vai ser coisa mansa (nunca consigo pronunciar esta palavra sem me lembrar dele). Afinal haverá sempre tempo para descansar das férias e, como se prevê que o Verão irá ser propício para que o Governo ponha na mesa a sopa dos pobres que anda a cozinhar, haverá também tempo para o retorno à (a)normalidade.
A conversa ia boa e a efusão relaxante já fazia efeito quando Janita se levantou para regressar à sua loja. - Tenho de ir. Bom fim-de semana Sr. Luís, descanse que isto, para a semana, promete.
LNT
[0.266/2014]
Imagem: http://www.gutenberg.org/
Há aproximadamente um mês fomos chamados a exercer o direito de escolha dos representantes portugueses no Parlamento Europeu. O Partido Socialista apresentou a melhor e mais categorizada lista, assim entendido pelos lusos que a sancionaram maioritariamente. (Aqueles que se deram ao trabalho de perceber a importância destas eleições e não se perderam em apreciações desviantes, nem em brincadeiras de redução de votos).
Uma das minhas referências políticas sempre foi Manuel Tito de Morais. Homem prosseguido pelo anterior regime, preso, torturado, maltratado, exilado, resistente sempre.