segunda-feira, 31 de maio de 2010

Gato capado não faz serenata

Gato Compete-nos, a nós que acreditamos que é viável conseguir o impossível, levarmos a missão avante.

A democracia, mesmo a nossa que pouco mais é do que permitir a cada um dizer o que pensa e poder decidir pelo voto quem quer que conduza os nossos destinos, continua a ser um bem inestimável por nos proporcionar a imposição da vontade e nos permitir penalizar quem, em abuso do poder que lhe demos para gerir a nossa vida, se julga iluminado por uma luzinha que o guia e lhe aponta caminhos contrários àqueles que nos levou a conceder-lhe procuração.

Dizem os tais iluminados, os da luzinha que os guia, que nós não sabemos o que queremos e que só nos capam para sermos felizes. Tiques adquiridos no tempo de Eça onde se trocava a felicidade dos gatos selvagens que se perdiam em serenatas ao frio no período de cio, pelo recato dos lares pimpões entre almofadas farfalhudas e rações de lata, mais recentemente feitas gourmet.

Gato E como não queremos que, mesmo depois de capados e com as promessas dos enlatados encharcadas de essências para nos fazerem pensar que estamos a comer o que não estamos, nos abandonem ao primeiro aceno de vida boa para quem nos mandou capar, é melhor que se zele pela insubmissão, não vá o diabo tecê-las e as serenatas terminem por falta de voz grossa para as fazer.
LNT
[0.183/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXLII ]

Conseguir o impossível
Conseguir o Impossível - Portugal
LNT
[0.182/2010]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Nim

LimãoO homem já decidiu. Ouve agora todos os outros para divulgar o que já sabe:
Cada cabeça sua sentença, ódio à insubmissão e ao desafinado.

Nem para os cínicos, a vida está fácil.

Tudo muito plural, tudo muito sonso, tudo a saber que o que vale são os papelinhos dentro da caixa que se quer – querem os mesmos que já o quiseram no quinquénio passado – de ressonância alta a puxar pelas notas ritmadas do cavaquinho.

Coisa para se dizer que, com amigos destes que dão palmadinhas nas costas com a esquerda mas apertam a mão com a direita, mais valem os inimigos declarados.

Vantagens e desvantagens do segredo dobrado em quatro para bem de quem recebe o que não lhe foi prometido e para mal de quem, ao fazer o balanço final, verificará que a passagem da mão pelo pêlo não foi um acto de amor.

Ai de quem se convença que os sorrisos são rosas, neste roseiral de espinhos.
LNT
[0.181/2010]

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Chave

A Chave - Rui Herbon"O mistério aproximou-se do xadrezista francês Michel Lemercier de forma enviesada, oblíqua, como o traço fugaz de um bispo sobre o tabuleiro, e quando chegou até ele, fê-lo sob o aspecto de uma bela e enigmática mulher que, como surgida do nada, o visitou certa manhã de Inverno de 1958.

Aconteceu durante o decorrer de um certame de xadrez, pouco depois de concluir a última das vinte simultâneas que Michel tinha disputado, a modo de exibição. Após obter um balanço final de dezanove vitórias a seu favor e um empate, fruto mais do seu próprio cansaço e aborrecimento que da suposta solidez do seu adversário, preparava-se para abandonar aquela entediante reunião de aficionados quando uma jovem mulher se aproximou dele e lhe estendeu um livro.
(...)"
Rui Herbon
Prémio Branquinho da Fonseca de Conto Fantástico, 2009

Lançamento no dia 25 de Maio, às 18:30, na Bulhosa de Entrecampos.
Apresentação por Teresa Sá Couto.
LNT
[0.180/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXLI ]

Gil Teixeira Lopes
Gil Teixeira Lopes - Lisboa - Portugal
LNT
[0.179/2010]

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Calendário das CCTM

Quadro Tito de MoraisNo Blog da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais divulga-se o calendário das CCTM que se centrarão na semana que decorre entre 28 de Junho, data em que Manuel Alfredo Tito de Morais faria cem anos, e 2 de Julho.

Todas as acções estão a ser ultimadas com os respectivos promotores e o patrocínio para a edição da fotobiografia, da autoria da Comissão Executiva, está assegurado pelo Partido Socialista.

24 de Junho
Livraria Bertrand - Chiado - Lisboa
Lançamento da fotobiografia de Manuel Alfredo Tito de Morais. (18:30 h)
26 de Junho
RTP2
Documentário sobre a vida de Manuel Alfredo Tito de Morais. (55 m, à noite, em hora a anunciar)
28 de Junho
Palácio Galveias - Lisboa
Início das Comemorações (data do aniversário de Tito de Morais) com a apresentação da fotobiografia por dois historiadores. (19:30 h)
29 de Junho
Assembleia da República
Descerramento de uma lápide na casa de Lisboa onde viveu Tito de Morais. (12:00 h)
Sessão solene na Assembleia da República. (18:00 h)
Edição de uma biografia.
Exposição.
Lançamento de um inteiro-postal. (CTT)
30 de Junho
Câmara Municipal de Lisboa
Descerramento do busto de Tito de Morais da autoria de Francisco Simões num jardim público adjacente à Sede Nacional do PS. (12:00 h)
Grande Oriente Lusitano
Sessão branca. (19:00 h)
1 de Julho
Associação Tito de Morais
Escritura da Associação. (11:00 h)
Fundação Mário Soares
Sessão solene. (18:30 h)
Exposição da FMS.
2 de Julho
Partido Socialista
Sessão Solene na Sede Nacional - Largo do Rato. (17:00 h)
Apresentação do número especial do Portugal Socialista.
Abertura da Sala Tito de Morais.

À medida que as acções estejam completamente assentes serão divulgados todos os detalhes.
A seguir no Blog da CE das CCTM .
LNT
[0.178/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXL ]

Porto de Galinhas
Porto de Galinhas - Pernambuco - Brasil
LNT
[0.177/2010]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

The last tango

TangoMesmo em crise, ou com a crise, nem a democracia foi suspensa, nem muito menos a vida.

Esta realidade a que se soma a da tentativa de contenção verbal sentida no dia a dia, e ainda não foram aplicados os travões que o PEC2 tem para inviabilizar uma saída do túnel em que entrámos há tempo de mais e que se prolonga muito mais do que seria desejável, faz adivinhar o agitar das bandeiras e o arrancar das pedras da calçada.

Todos os dias pior, todos de dentes arreganhados para segurarem a rosa que teima em manter-se botão, mesmo murcha, enquanto se ensaiam novos passos atrevidos no salão de dança ao som compassado do tango, da tanga.

E como nem a vida foi suspensa nem tão pouco a democracia, mesmo contidos na verve, já se ouvem notas desafinadas do acordeão.

Ecoam os acordes de "por una cabeza" de Carlos Gardel mas percebe-se que a letra não é de Alfredo le Pera, nem conta a estória de um apostador das corridas de cavalos.

LNT
[0.176/2010]

terça-feira, 11 de maio de 2010

Honrarias

Em 2711Mesmo com a escrita reduzida a mínimos há sempre alguém generoso que ainda vai brindando este modesto estabelecimento com honrarias imerecidas.

Foi o caso recente do Nuno Raimundo que no Em2711 coloca a Barbearia como o blog em destaque na semana.

Para ele e para a equipa do Em2711 segue um abraço e a promessa de que as navalhas e as mãos firmes das colaboradoras desta casa nunca deixarão de estar aptas para escanhoar as barbas imberbes que por aí abundam.
LNT
[0.173/2010]

3fs

Carris sauda o PapaPreparai-vos que em breve tereis o terceiro f.

Depois de Jesus ter levado o Glorioso à varanda da República, na Praça do Município, vistes hoje Ratzinger, Benedictus XVI, em carne e osso e na Praça do Comércio a apelar à fé, e vereis por fim, lá para o fim da semana, depois de tantas e tão fortes emoções, o f. que aí vem.

Não sei se vos cuidais do coração mas ide-vos preparando pois quer-me parecer que, à excepção de uma mão cheia de gestores públicos e semi-públicos, todos vós ireis ter no Natal um sapato grande demais para tão curtas prendas.

Rezai, pois!

Pode ser que o Verão ainda traga um milagre da África do Sul que vos encha de consolo e vos faça esquecer, ou vos evoque para a misericórdia, na remissão dos pecados de quem nos mete a mão no bolso e coloca o pouco que lá encontra no bolso de outros.

Louvados sejam!
LNT
[0.172/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXVIII ]

Interface
Creoula - Lisboa - Portugal
LNT
[0.171/2010]

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Os magos a caminho de Belém

Pé peregrinoA coisa mais interessante de alguns espécimes da Humanidade é a capacidade de se enrolarem, tentando enrolar-nos. Há humanos mais enrolados do que outros mas em Portugal a tendência dos enrolados para se desculparem com o seu enrolado aproxima-se da magia.

Digo magia porque só magos se dirigem a Belém para entregar mirra e incenso, que do ouro que desbarataram nada ficou para oferecer, num enrolanço de fazer crer que o estado demoníaco em que nos encontramos não faz parte das suas incapacidades passadas o que, mesmo em tempos do sobrenatural que proporcionam a Jesus não ser pregado na Luz e a Sua Santidade visitar-nos apesar da nuvem de enxofre expelida pelo fogo eterno, lhes garante lugar entre os alquimistas capazes de boa moeda.

Se esta gente, estes magos, tivessem vergonha na cara e conseguissem perceber que a sua quota parte de responsabilidade levou o País às portas da miséria, se se lembrassem que a condição que os leva a Belém com a mirra no bolso e o perfume do incenso é exactamente a de terem sido Ministros do descalabro das Finanças, seguiriam melhor para Fátima, e de joelhos, para pedirem perdão e sem pretensões de nos darem mais um sermão.
LNT
[0.170/2010]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Maio, mês das flores

Aníbal AfonsoDepois de uns dias recolhido na penumbra, que o Sol não está para brincadeiras, saio à rua para retomar a actividade e o stress e, tal como nos anos anteriores por esta altura, descubro que elas, as que hibernam no Inverno, voltaram a desabrochar.

Não babo, que ainda não cheguei aí, mas espanto-me por verificar que não há crise que as maltrate e pelo poder que a natureza tem para as fazer sair dos casulos onde se escondem quando o tempo está de borrasca e as espevita após o equinócio vernal sempre que os ares condicionados lhes acertam um sopro mais fresco.

Aí estão de novo. Saltitantes nas corridas para a lufa-lufa e generosas na inclinação.
LNT
[0.168/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXVII ]

Interface
Tecnologia - Interface - Portugal
LNT
[0.167/2010]

terça-feira, 4 de maio de 2010

Engavetados

Salvador DaliAs notícias não são grande coisa. Trinta e seis anos não são muito tempo mas, se em vez de termos andado a guardar na gaveta as verdadeiras soluções as tivéssemos posto em prática, possivelmente a falta de notícias seria a nossa melhor notícia.

É verdade que as democracias sociais do norte da Europa não são grande notícia.

Por lá vive-se razoavelmente bem, os níveis de desenvolvimento não são maus, ninguém lhes aponta o dedo como se aponta a uma formiga que se quer esmagar e o estado social é bem tolerado. Eram modelo há trinta e seis anos, talvez o tempo suficiente para ter formado sem preconceitos doutorais e ter dado a gente que agora tem quarenta e seis anos uma preparação cívica suficiente que lhes tivesse permitido criar os filhos com horizontes mais abertos, como se estivessem num País próspero.

Maldita gaveta.
LNT
[0.166/2010]

domingo, 2 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Escrever

Livro da 1ª ClasseJá se vêem por aí os mestres da escrita. Dizem que a coisa deve ser fluente, de leitura fácil, curta, sem palavras para além do palavrear corrente e sem leituras para lá daquilo que se quis escrever.

Ignorante destas coisas, barbeiro de profissão e tacanho por inerência insisto, quando escrevo, porque também há o não escrever por vontade própria e não por preguiça, que esta coisa do escrever tem dias e se em alguns se rebusca no segundo ou décimo sentido, noutros, quando a vontade de escrever é mais do que a do lazer, ou simplesmente não escrever, a escrita pode não ser mais do que isto de dizer aos mestres que estamos fartos deles.

Não meus caros leitores, clientes, ou o que quer que sejam desse lado de lá, não é um arrufo de mau feitio e de ausência. Não é uma justificação para o pouco que aqui se tem escrito, mas somente um desabafo, talvez mais cansado do que desiludido com o passar do tempo que nada faz passar.

Mas fartam estes mestres sem discípulos.

Isto é um espaço de criatividade e de irreverência. Um caderno de apontamentos, diário intermitente, passatempo, desassossego e intranquilidade.

Assim manda a liberdade e a criatividade, longe do ter de... e das regras da escola do saber.

Sempre grato aos muitos milhares, talvez só alguns muito frequentes, que se sentam nestas cadeiras e inclusive se zangam com a falta de letras.
LNT
[0.164/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXV ]

Sr. Peixe
Sr. Peixe - Parque das Nações - Lisboa - Portugal
LNT
[0.163/2010]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

puff!

Formiga

Triste sina, a das formigas.

Depois de terem expulso a casta maior para os campos da Argentina, entre churrascos de picanha e de filé, padecem esmagadas por um polegar mais robusto assim que tocam a pele de um homem.

Até para elas a realidade é tramada, acreditem!
LNT
[0.158/2010]

Das barbas e dos barbeiros

João Espinho - BarbeiroDizia o Pedro Correia, aqui há uns dias, que a abertura democrática em Cuba era evidente perante a liberalização e a privatização das barbearias, desde que não tivessem mais do que três cadeiras. Quer isto dizer que, se esta barbearia estivesse sob o manto democrático cubano e dado que nela existem quase 300.000 cadeiras (exagero do sitemeter), não lhe restava outra solução senão a estatal e aqui andaria este miserável barbeiro, que nada ganha com isto a não ser amores e ódios dos seus clientes, às ordens de um qualquer Bernardino, ou quejando.

O escrito de PC (Pedro Correia, leia-se) fez-me deixar lá um comentário a informar que haveria de pegar no assunto, mas agora que o assunto fica presente, apetece-me só dizer que a grande democracia de Cuba e o povo cubano mereciam mais dos manos Castro.

Merecia, por exemplo, que deixassem barbeiros como Yoani Sánchez cortar a eito o cabelo de cabeludos sem que lhe travassem a tesoura.

É que, até mesmo os últimos dinossáurios, merecem ser devidamente escanhoados e tosquiados sem que o Estado intervenha.

Por este andar, ainda havemos de ver, em Cuba, policiais armados em políticos e uma Assembleia Nacional a fazer o papel interrogador de uma polícia política (mesmo que encalhada, como diz o barbudo nacional).
LNT
[0.157/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXII ]

Balugães
Balugães - Minho - Portugal
LNT
[0.156/2010]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Repouso

AlgemasLigar a televisão e assistir a deputados que erraram na profissão e agora têm forma de ser interrogadores, coisa que lhes corre no sangue, profissão falhada porque nunca tiveram coragem de ir para a polícia, retira o repouso que nos aconselham, soma preocupações à preocupação, faz pensar que afinal o nosso voto não foi para legisladores mas sim para pagar bem a maus polícias.

Vejo estas comissões de inquérito, dizem que para apurar a responsabilidade política, a questionar para saberem o que os seus interrogados “acham” ou “entendem” e aumenta-me a azia, acresce-me a descrença e assalta-me a dúvida se valerá a pena o trabalho de escolher, nas urnas e em voto secreto, interrogadores que não são policiais, nem juízes, para lhes pagar por inútil trabalho o dinheiro que deveria ser gasto em profissionais policiais ou judiciais especializados.

Isto cansa.
LNT
[0.155/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXXI ]

Mértola
Mértola - Alentejo - Portugal
LNT
[0.154/2010]

terça-feira, 20 de abril de 2010

E de repente emudeceram

Avião bate asasHá silêncios tão selectivos que até fazem um barbeiro ficar barbado. Quando se falam de alternativas nos transportes, TGV por exemplo, mas também aplicáveis à rede rodoviária, aos portos, etc., nunca falta quem se ligue aos megafones contra este, ou qualquer outro governo, porque a teoria é que, havendo um governo – há um bode-expiatório - e malhe sem dó nem piedade.

Se for um vulcão, ou um ataque terrorista, algo que faça os pássaros de ferro não voar, ai aqui d’ el-rei que a economia fica de pantanas. Se há um terramoto e as ligações terrestres são interrompidas, não faltarão vozes a reclamar a falta de alternativa.

No entanto, quando se fala de planos ou de modernização de infra-estruturas, mil vozes gritam esquecendo que a sua inexistência, normal ou extraordinária, poderá criar constrangimentos extremos.

A face visível, tal como quando se falava de um novo aeroporto internacional, são os passageiros e todos se esquecem que as cargas são tão ou mais importantes e criam tão grandes ou muito maiores problemas à economia.

As vozes, sempre mais que as nozes, falam agora que os aeroportos fecharam por excesso de zelo. O que diriam se algum avião se despenhasse em virtude de ter sido entupido pelas cinzas do Katla ou do seu vizinho?

Esta dualidade é o primeiro problema português (depois da inveja). Impossibilitar o avanço, bloquear o desenvolvimento, discutir até à exaustão aquilo que se não entende para, quando chegar a altura, malhar, ou dando voz ao hino, contra os canhões, malhar, malhar. Quando acontece o desmascarar desses comportamentos, o resultado é silêncio.

Já assim tinha sido com a guerra do Iraque, p.e.
LNT
[0.151/2010]

domingo, 18 de abril de 2010

Colaborador da Semana [ XCV ]

Tias das colaboradorasAo contrário do que é habitual, nesta semana não serão contempladas as colaboradoras mas sim as suas tias-mansas, pá.

Senhoras de tino, esticadas e com implantes, as tias mansas Soe Crátes e Lou Cã, são famosas neste estabelecimento depois de terem sido evocadas em pleno circo representativo, após algumas trocas de galhardetes que muito agradaram à clientela e que deixam imaginar a linguagem mais comum que usarão quando, fora do plenário, falam das tias de umas e outras, certamente evocando as suas partes mais íntimas.

Manso é a sua tia, pá! É a frase mais elegante que nesta barbearia se usa quando se pretende, com elevo, satisfazer a clientela ansiosa por mais um bom discurso das colaboradoras especiais que foram chamadas a representar o povão e que por isso se esforçam para usar terminologia de caserna.

Sempre agradecidos às colaboradoras que inovam e que com isso atraem a clientela, desta vez até a clientela das docas, fica a distinção para as tias mansas e recheadas de silicone.

É para elas o galardão da semana.
LNT
[0.149/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXXVIII ]

Capela do Rato
Capela do Rato - Lisboa - Portugal
LNT
[0.148/2010]

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Põe os corninhos ao Sol

CaracolEra assim que, em miúdo, tagarelava com os caracóis que insistiam em comer os jarros da casa onde vivia no meio de um bando de irmãos que nunca perdoavam a vida ranhosa que se desenvolvia no bolso da frente do meu bibe.

Sem o saber, promovia a baba dos animais e a mistela que resultava de um ou outro encontrão que algum dos maninhos fazia acontecer para que o esmagamento dos moluscos gastrópodes me provocassem uma lágrima de desalento e o raspanete da criada ao ver o estado deplorável em que o asseio da fardamenta ficava.

Era assim. Não havia caracol grande, pequeno, listado, ou liso que não fosse arrancado das folhas da planta de flor branca com um pirilau amarelo no meio para o recatado mundo que coabitava no tal bolso da frente do meu bibe. Dali eram retirados, com as enroladas cobras-de-café e os berlindes bichos-de-conta, para todo o tipo de brincadeiras, torturas e batalhas de morte travadas com as guardiãs do buraco das formigas gigantes da base do pinheiro existente no fim do quintal.

Caracol, caracol, põe os corninhos ao Sol, música que guardo para estes dias de início de Primavera chuvosa e ameaçada pelas cinzas do Katla islandês que fazem milhões de indígenas do velho continente esquecer voos rápidos e regressar aos pouca-terra.

Canto para dentro a musiqueta aguardando pacientemente vê-los, em manada e comprimidos em saquinhos rendados, para que lha cante de novo enquanto os instruo na brincadeira do estrafegamento pelo estrugido de orégãos e piripiri.
LNT
[0.147/2010]