sexta-feira, 5 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Enquanto Relvas vai e vem, ao Coelho folgam-lhe as costas
Passos Coelho deve estar nervoso. Quando todos os que andam à sua volta deixarem de andar vai-se perceber que afinal, ao contrário do habitual "ele até nem é mau rapaz, a questão são as más companhias", o problema é ele próprio.
Vítor Gaspar deve estar já a desenhar o próximo gráfico em PowerPoint onde explica que a demissão de Relvas não representa perigo sistémico. O nome, a aparecer diluído numa lista forte de gente, garantirá uma espiral de diversão cujos danos colaterais abafarão as má-feitorias que se estão a preparar.
Já fiz a minha parte. Falei de Relvas numa altura em que todos hão-de falar.
Cumpre-se o ditado popular: "Enquanto Relvas vai e vem, ao Coelho folgam-lhe as costas".
LNT
[0.030/2013]
quarta-feira, 3 de abril de 2013
O direito a continuar a falhar
Como é minha reconhecida falha, sou mau para recordar nomes, principalmente nomes de sábios demonstradores de tal teorema e pedi ajuda no FaceBook para que me recordassem a “graça” de tão ilustre orador, ao que a Palmira e a Maloud acederam de imediato informando tratar-se de Moreira da Silva.
Assim sendo, posso dirigir-me a Moreira da Silva recordando-lhe que ele e os seus seguidores e seguidistas apresentaram uma pseudo-moção-de-censura na Assembleia da República, há mais ou menos dois anos, baseada em alternativas do tipo “já basta de impostos e de PEC’s, a Troika ao poder, já!” ou, em versão mais soft, “há limites para os sacrifícios”, coisas de fazer parar o trânsito pela assertividade que tinham e que resultaram no maior saque alguma vez realizado ao povo português através da aplicação de um programa que nunca foi sufragado e que afinal tinha por agenda escondida “ir além da Troika”, “empobrecer a canalha” e “custe o que custar, havemos de lá chegar”.
As alternativas que o mestre de Moreira da Silva apresentou para avançar para eleições e assim chegar ao pote foram as meias verdades de que o PSD nunca cortaria o subsídio de Natal (porque na realidade haveria de cortar o de Natal e o de Férias) e foram as restantes inverdades de que bastaria arredar Sócrates para que os juros diminuíssem, o desemprego parasse e os impostos e os restantes sacrifícios não aumentassem.
As alternativas exigidas por Moreira da Silva são mais do mesmo em relação à arrogância perante os direitos constitucionais e mais uma pressão, desta feita ao próprio povo português, para que cesse a censura a este Governo falhado que insiste em querer falhar mais por dois anos.
LNT
[0.028/2013]
terça-feira, 2 de abril de 2013
Coisas de cabeça
Foram precisos muitos anos para que alguém me dobrasse a "espinha", embora não tenha sido da forma a que estamos habituados a ver, mas lá o conseguiram fazer. (também não foi bem dobrar, mas sim cortar e colar)
Só que isto de ser urso velho faz também ser-se osso duro de roer. Já cá ando de novo com o crânio no ar, quase pronto para o que der e vier e para torrar a cabeça a muitos daqueles que andam com ela de banda por terem outras má-formações na coluna.
LNT
[0.026/2013]
sexta-feira, 29 de março de 2013
Kim filho
Kim filho passou-se de vez e anda a brincar aos soldadinhos de chumbo.
Vem aí a solução para a crise e desta feita já nem sequer existem "rails" das linhas de ferro da Madeira para serem fundidos nos carros blindados que se vão perfilando.
O Mundo não aprende e haverá sempre um palhaço para animar a malta.
LNT
[0.024/2013]
Torquato da Luz
O apontamento está no Ofício Diário e foi deixado pela sua filha Maria João, que não conheço, mas a quem deixo um grande abraço. É certamente um imenso orgulho ter tido por Pai uma pessoa de sensibilidade tão especial.
Torquato tinha o hábito de me convidar para todas as apresentações dos livros de poesia que escrevia e eu o hábito de nunca ir, como quase sempre faço nessas circunstâncias. Uns dias depois recebia o livro cá em casa, uma amabilidade do autor que sabia que cada palavra e estância seriam de imediato lidas e apreciadas.
No seu Blog a palavra ressaía na companhia das imagens do autor, a sensibilidade à flor da pele e o bom gosto estampado no ecrã, um caminho gratuito que cedia para nossa satisfação.
Vou ter saudades de notícias novas. Espero que o Blog permaneça para todas as revisitações.
Pode ser que, na hora da partidaTorquato da Luz, Rendição “Por amor e outros poemas”, Papiro Editora, 2008
Para onde eu não sei e tu tão-pouco,
O navio se limite a um silvo rouco
E nenhum lenço acene em despedida.
Pode ser que a memória dividida
Entre o cais de partir e o de chegar
Permita a invenção de algum lugar
Onde nos seja dada uma outra vida.
Pode ser, pode ser, mas ninguém sabe
O que se esconde para além do muro
Que nos impede a vista do futuro.
E, sendo assim as coisas, só nos cabe
Abraçar a sublime rendição
De apenas escutar o coração.
LNT
[0.023/2013]
terça-feira, 26 de março de 2013
O cavaquinho sem mestre
Mais importante do que andar por aqui a comentar, é esperar pelo comentador que se perfila do fim das filosofias e fará as montanhas descerem a Maomé e os mares abrirem-se para passar este povo de Deus.
Se não for a montanha a descer a Maomé que seja, pelo menos, a manjedoura de Belém a fazer sucumbir o rei mago Gaspar.
Da nova escola das luzes chega o profeta das sombras. E há quem tenha medo, muito medo.
LNT
[0.022/2013]
sexta-feira, 22 de março de 2013
Censuras e Sócrates
Há quem continue a trilhar o caminho das cabras negando tudo aquilo que publicamente defende e a perder-se nos jogos particulares fingindo que esses jogos são o interesse nacional.
Para o PC fica aquilo que o PS entendeu constitucionalmente fazer. Os comunistas farão agora o que nunca quiseram fazer. Terão de ir à censura através da moção regimental e, como já queimaram todo o fogo-de-artifício que gostam de queimar, vão ter de apanhar as canas lançadas pela bancada socialista.
Para os peticionários do silêncio fica aquilo outro que os democratas nunca deixarão de defender. Por muito que a liberdade os revolte e por muito que a Constituição da República Portuguesa os apoquente, o direito de opinião e de expressão continuará a ser inquestionável.
LNT
[0.021/2013]
quinta-feira, 21 de março de 2013
O eixo Sintra-Lisboa
Conheci-o quando ele era chefe do gabinete do Grupo Parlamentar do CDS e eu adjunto do Presidente da Assembleia da República. Fartámo-nos de almoçar embora, tal como então, eu continue a pagar as minhas quotas no PS e o Fernando Seara tenha passado a pagá-las no PSD (um downgrade). Coisas da vida, coisas sem a mesma importância que levam profissionais da política a colocarem a sua profissão (de políticos) acima da própria política.
Pouco importa também que eu goste de Seara, porque isso só pessoalmente pode ter alguma importância uma vez que o meu voto em Lisboa sempre esteve garantido em Costa. Pouco importa, repito, porque hei-de continuar a gostar de Seara, embora agora, mais do que nunca, sem qualquer intenção de lhe entregar o meu voto (nem sequer no Benfica). Não votaria em quem se esconde atrás de vogais para se disfarçar de consoante.
Tenho pena. Os patos também as têm mas não é por isso que deixam de ser servidos com arroz.
LNT
[0.019/2013]
terça-feira, 19 de março de 2013
Pode ser
No meio de todo este descalabro salva-se o Jesuíta que proclama a necessidade de cuidarmos uns dos outros dando a entender que isso não tem a ver com a nossa disponibilidade pontual para cuidar, mas antes com a necessidade permanente de cuidados dos nossos próximos.
O Mundo político está cada vez mais mal frequentado. Talvez a Igreja Católica reabra o caminho da esperança e da solidariedade que os agnósticos do dinheiro esqueceram quando deixaram de entender que nas quatro operações aritméticas está incluída a divisão.
LNT
[0.017/2013]
segunda-feira, 18 de março de 2013
O fala-só
Fora do anfiteatro todos, incluindo a JSD, não quiseram dar a mão a quem lhes rouba os anéis e os dedos.
Marcelo, tal como Gaspar, não acerta uma. Passos também não, mas isso já todos sabíamos.
LNT
[0.016/2013]
sábado, 16 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
Aos abrigos
Continuamos na senda das olheiras além-da-troika.
Ajustem os capacetes.
A morteirada segue dentro de momentos.
LNT
[0.014/2013]
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Prova de vida
Isto está a ser um pouco mais prolongado e custoso do que eu esperava e ouvir a desafinação de Relvas não ajuda, mas continuo com a esperança de que tudo se componha e também com fé de que Relvas deixe de pedir lições de canto ao seu mentor espiritual.
Ámen!
LNT
[0.011/2013]
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Coisas de tralha
Afinal daqui a 24 horas irei estar nos cuidados intermédios a recuperar de uma cirurgia às cervicais. Tinha o perfeito alibi.
Mas, tal como fiz quando a tralha socretista fez quando atirou com Ferro Rodrigues para um canto, aqui estou de novo a lembrar a essa tralha que não gosto destas golpadas.
A diferença é que sou amigo de Costa. Seria o meu Presidente da República e custa-me muito vê-lo envolvido em jogos destes. Espero que não avance porque se o fizer não conta com o meu voto, o que me provoca desgosto.
Dito isto, venha a faca. Depois direi o resto.
LNT
[0.010/2013]
Volto já
Vou ali levar uma facadita no pescoço e volto já.
Não fujam senão lá se vão os meus "shares".
Até para a semana.
LNT
[0.009/2013]
Não fujam senão lá se vão os meus "shares".
Até para a semana.
LNT
[0.009/2013]
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
à Pressa
Ouvem-se alguns apressadinhos cheios de pressa e com saudades de um tempo, quase recente, em que punham e dispunham a seu belo prazer, a apressarem-se para matar essas saudades agora que os seus magníficos narizes pressentem o retorno dos odores do poder.
Pode ser que tanta pressa os leve à ejaculação precoce, coisa vulgar em quem antecipa o prazer à mecânica para o obter e assim, sem praticar o acto, consegue chegar aos gemidos egoisticamente inconsequentes.
Há-de haver sempre gente desta, apressadinha e disposta a fazer tudo, mesmo à pressa e mesmo que isso só sirva a sua pressa.
O mais estranho de tudo é que essa gente nunca é capaz de entender que os outros olham para eles com a expressão de quem já os topou há muito e já sem disposição nem pachorra para aturar os seus ruídos umbiguistas.
LNT
[0.008/2013]
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Comprar um molho de bróculos
Alegra-me saber que a mensagem está bem controlada e tenho pena de não saber que mercados são esses que se interessaram tanto pelos nossos papeis.
Adelante, que não andamos aqui para dificultar o regime gasparov.
A ida aos mercados, que nunca deixou de acontecer - basta ver as notícias do ano transacto - significa que continuamos a de ir lá fora buscar mais uma lecas para juntar a todas as outras lecas que um destes dias teremos de devolver acrescidas dos juros que lhes estão associados. Desta vez parece-me ainda mais preocupante até porque, segundo os ditos do poder, tudo está a correr bem e este ano não precisávamos de nos endividar mais.
Mas isto sou eu a falar, que nada entendo destas negociatas e ainda menos deste tipo de testes aos mercados que só servem para inglês ver e para aumentar o entalanço final.
LNT
[0.007/2013]
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Merdas
Dizem que a medula está estrangulada e preparam-se as facas para lhe arranjar espaço. Coisa de nada, coisa de miaúfa, como dizia quando tinha vida curta e gostava de dizer coisas.
Barbeiro sem força na direita para tosquiar mas com a esquerda a cem por cento, sempre a considerar-vos, ou não fosse barbeiro de navalha.
E viva a ADSE que, tal como as facturas que não exijo, é uma forma de me garantir que sobreviverei para além dos fdp que nos sugam.
PS. Gostei do discurso de Obama. Fez-me inspirar para escrever este post.
LNT
[0.006/2013]
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A nata do passismo
Ficámos a saber que aquela malta que está reunida no Palácio Foz, despesas pagas por nós - pelo menos as de cedência do espaço – é a nata intelectual do passismo/portismo e que o debate público promovido se destina somente a essa mesma nata, embora os seus resultados sejam para aplicar ao leite magro desnatado que a sustenta.
É por isso que o debate público é privado e à porta fechada.
Pena que a coisa não se tenha processado ali ao lado, no Palácio da Independência.
Não seriam os primeiros vendidos a serem defenestrados.
LNT
[0.005/2013]
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Surdinas [ LXXIV ]
Não se percebe qual o espanto de quem agora afirma que o relatório do FMI é da autoria da linha dura do Governo que terá pedido o papel timbrado ao FMI para se esconder debaixo das saias da sigla e dar credibilidade à doutrina que rege este poder.
Parece que só agora acordam para a realidade e que não sabiam que a cartilha dessa irmandade neoliberal que sequestrou o PSD é a mesma que timbra o papel do actual relatório.
Parece que não sabiam de onde eram oriundos os Borges, os Gaspares, os Moedas e restante camarilha.
Parece que nunca tinham visto Passos Coelho a servir de capacho e a transformar este País numa Nação cada vez menos valente.
LNT
[0.003/2013]
Legitimidade e mandato
Outra das definições de legitimidade é a do “direito que assiste” e por aqui a ilegitimidade é colossal porque o direito que assiste a um Governo é aquele que decorre dos seus programas eleitoral e de governo e este executivo subverte-os todos os dias.
Um milhão de vezes já nos recordámos da expressão chocada de Passos Coelho quando se abespinhou com a miúda que, em campanha, lhe perguntou se era verdade que ele iria acabar com os subsídios de férias e Natal, outro milhão de vezes nos confrontámos com todas as mentiras e trapaças com que o governo Coelho/Portas esmifra permanentemente o cidadão comum para o transformar num servo desprovido de qualquer cidadania.
Este governo, por estar à margem da legitimidade, do direito e da legalidade, insiste na chantagem, no temor e no terrorismo social. Este governo tem de ser confrontado com a censura que a Constituição determina até porque legisla contra a própria Lei Fundamental.
Este Governo perdeu o seu tempo constitucional e, porque insiste em viver para além das nossas posses cada vez mais depauperadas, esgotou o seu mandato.
LNT
[0.002/2013]
domingo, 6 de janeiro de 2013
2013
Retorno com os Reis Magos embora assinale um porque não gosto de retornar na sua companhia.
Para todos ficam os votos de feliz 2013 e os de que o mago assinalado regresse ainda este ano a pé para Bruxelas porque estou cansado de ser o seu camelo.
LNT
[0.001/2013]
Para todos ficam os votos de feliz 2013 e os de que o mago assinalado regresse ainda este ano a pé para Bruxelas porque estou cansado de ser o seu camelo.
LNT
[0.001/2013]
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Nota aos leitores
Observei que os aderentes ao concurso de Natal responderam em grande estilo ao desafio, mas confesso não estar em condições de corresponder a essa participação com o habitual humor e disponibilidade.
Assim sendo e apelando à vossa boa vontade, as coisas ficarão como estão deixando a promessa de que em 2013 haverá concurso de Natal e também um concurso de Páscoa que terá coelhos e coelhices como pano de fundo. Não será grande coisa, mas é o que agora posso prometer.
Fica o abraço para todos os meus leitores e os votos sinceros de Festas Felizes com a esperança de que tenham o melhor em 2013.
LNT
[0.611/2012]
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Percepções erradas
No lote das percepções erradas que todos temos há uma para que é preciso estar alerta e que é a de que as Mães são eternas.
Não são, pelo menos em forma material, e por isso tratem-nas bem em vida.
Dito isto ao sétimo dia, a vida continua.
Obrigado a todos pelas vossas mensagens.
LNT
[0.610/2012]
Não são, pelo menos em forma material, e por isso tratem-nas bem em vida.
Dito isto ao sétimo dia, a vida continua.
Obrigado a todos pelas vossas mensagens.
LNT
[0.610/2012]
domingo, 9 de dezembro de 2012
Mãe
Este blog é a forma que decidi ter para comunicar publicamente. Umas vezes é político, outras é sentimental, outras é brincadeira, outras é sério e, algumas poucas vezes, é também o local de transcrição de outras escritas públicas e de publicação de outras expressões (pintura, música, gravura, etc.) que me tocam em especial.
Não é um diário do autor mas pretende ser um caderno de apontamentos.
O João M. Vidal entendeu fazer uma homenagem pública, muito sentida, à minha Mãe. É um texto de coração nas mãos do qual pedi autorização para extrair o que realmente interessa e republicar no meu blog, exactamente nos termos em que o faço de seguida, ao que o João Vidal acedeu de imediato.
É um acto de intimidade mas o orgulho de ter tido uma Mãe assim descrita obriga-me a partilhar o texto convosco. Obrigado João.
Luís Novaes Tito
Na “viagem da vida” todos nós sempre encontramos obstáculos e perder alguém a quem muito se quer não será dos mais fáceis: A Senhora Dona Maria José de Bragança Souza e Mello Gomes d’Abreu Novaes partiu para o Além!
Os mais novos só se lembrarão de uma “velha ranzinza” que, a todo o custo, tentava endireitar as pessoas e o mundo. Pois não saberão quem acabam de perder!
Esta Grande Dama, nobre dos quatro costados, de sangue mais azul que um céu de Verão, de uma coragem moral ilimitada e de grande beleza mental e física, foi das maiores e melhores Pessoas que tive o privilégio de conhecer em toda a minha vida. Filha de Pais abastados que lhe providenciaram a melhor e mais sofisticada das educações, viajou meio mundo, conheceu e conviveu de igual forma com príncipes e pobres e nunca perdeu uma oportunidade de se cultivar. Mas a vida não lhe foi generosa! Grandes dramas foram transformando esta gentil Senhora numa Dama de aço: Ainda em tenra idade perdeu a Mana querida, vítima de doença e, muito nova ainda, viu o seu casamento fracassar. Muitos foram os pretendentes à sua mão, com as maiores e mais sinceras promessas de amor e conforto, mas todas rejeitou: apesar de muito jovem ainda, nunca deixou que os filhos a vissem com outro homem que não fosse o pai deles.
Não me lembro do tempo em que ainda a não conhecia. No Colégio Manuel Bernardes, quando vinha buscar os manos Tito, com a sua beleza de estrela de cinema, sempre elegantemente vestida, era conhecida, entre nós, como uma das “Mães Brasa”. E não me lembro de nenhuma que fosse mais bonita! Mas cedo descobri que a beleza interna era ainda muito maior: Na Rua Sousa Loureiro as portas estavam sempre abertas para toda a miudagem e raras seriam as refeições em que só estivessem os da casa. Como, entre os filhos mais velhos, frequentemente, a conversa era sobre aviação, poucos meses após a morte do meu irmão Frederico em 1964, tinha eu 14 anos, muito tipicamente, resolveu passar das palavras à acção: Organizou com o famoso Coronel Cerqueira e levou-nos aos três a Sintra para voarmos. E assim ajudou a inspirar a carreira de três pilotos da Força Aérea: O Pedro em 1967, eu em 1968 e o Zé em 1969.
Sempre cumpriu da melhor forma que sabia o recado da vida: Educou todos os Filhos nos melhores colégios de Portugal e nunca deixou que lhes faltasse nada. O que certamente nunca esperou foi que o maior desgosto que alguém possa ter na vida lhe viesse bater à porta e acabasse por a quebrar: O António, o seu “menino pequenino”, encontrou a morte da forma mais terrível e descabida. Os mais novos só se lembrarão da Pessoa que sobrou desta tragédia: Amarga, revoltada e a querer mudar o mundo e as pessoas que a rodeavam. Mas não caiu!
Desde muito novo sempre mantive contacto muito próximo com a Tia Maria José, a Tia Zé ou a minha “Querida Zezinha”, como eu, por brincadeira e carinho, por vezes, a tratava. Fosse como simples “amigo dos miúdos”, genro ou ex-genro, em momento algum deixou que as circunstâncias afectassem o nosso contacto e relacionamento: Sempre tive nela uma amiga e confidente com quem sobre qualquer assunto poderia falar ou desabafar. Se hoje choro não é por ela que, finalmente, dorme em paz: é por mim, que, na minha alma, acabei de ficar muito mais pobre!
Adeus Zezinha Querida. Até qualquer dia!
João M. Vidal
[0.609/2012]
Não é um diário do autor mas pretende ser um caderno de apontamentos.
O João M. Vidal entendeu fazer uma homenagem pública, muito sentida, à minha Mãe. É um texto de coração nas mãos do qual pedi autorização para extrair o que realmente interessa e republicar no meu blog, exactamente nos termos em que o faço de seguida, ao que o João Vidal acedeu de imediato.
É um acto de intimidade mas o orgulho de ter tido uma Mãe assim descrita obriga-me a partilhar o texto convosco. Obrigado João.
Luís Novaes Tito
Os mais novos só se lembrarão de uma “velha ranzinza” que, a todo o custo, tentava endireitar as pessoas e o mundo. Pois não saberão quem acabam de perder!
Esta Grande Dama, nobre dos quatro costados, de sangue mais azul que um céu de Verão, de uma coragem moral ilimitada e de grande beleza mental e física, foi das maiores e melhores Pessoas que tive o privilégio de conhecer em toda a minha vida. Filha de Pais abastados que lhe providenciaram a melhor e mais sofisticada das educações, viajou meio mundo, conheceu e conviveu de igual forma com príncipes e pobres e nunca perdeu uma oportunidade de se cultivar. Mas a vida não lhe foi generosa! Grandes dramas foram transformando esta gentil Senhora numa Dama de aço: Ainda em tenra idade perdeu a Mana querida, vítima de doença e, muito nova ainda, viu o seu casamento fracassar. Muitos foram os pretendentes à sua mão, com as maiores e mais sinceras promessas de amor e conforto, mas todas rejeitou: apesar de muito jovem ainda, nunca deixou que os filhos a vissem com outro homem que não fosse o pai deles.
Não me lembro do tempo em que ainda a não conhecia. No Colégio Manuel Bernardes, quando vinha buscar os manos Tito, com a sua beleza de estrela de cinema, sempre elegantemente vestida, era conhecida, entre nós, como uma das “Mães Brasa”. E não me lembro de nenhuma que fosse mais bonita! Mas cedo descobri que a beleza interna era ainda muito maior: Na Rua Sousa Loureiro as portas estavam sempre abertas para toda a miudagem e raras seriam as refeições em que só estivessem os da casa. Como, entre os filhos mais velhos, frequentemente, a conversa era sobre aviação, poucos meses após a morte do meu irmão Frederico em 1964, tinha eu 14 anos, muito tipicamente, resolveu passar das palavras à acção: Organizou com o famoso Coronel Cerqueira e levou-nos aos três a Sintra para voarmos. E assim ajudou a inspirar a carreira de três pilotos da Força Aérea: O Pedro em 1967, eu em 1968 e o Zé em 1969.
Sempre cumpriu da melhor forma que sabia o recado da vida: Educou todos os Filhos nos melhores colégios de Portugal e nunca deixou que lhes faltasse nada. O que certamente nunca esperou foi que o maior desgosto que alguém possa ter na vida lhe viesse bater à porta e acabasse por a quebrar: O António, o seu “menino pequenino”, encontrou a morte da forma mais terrível e descabida. Os mais novos só se lembrarão da Pessoa que sobrou desta tragédia: Amarga, revoltada e a querer mudar o mundo e as pessoas que a rodeavam. Mas não caiu!
Desde muito novo sempre mantive contacto muito próximo com a Tia Maria José, a Tia Zé ou a minha “Querida Zezinha”, como eu, por brincadeira e carinho, por vezes, a tratava. Fosse como simples “amigo dos miúdos”, genro ou ex-genro, em momento algum deixou que as circunstâncias afectassem o nosso contacto e relacionamento: Sempre tive nela uma amiga e confidente com quem sobre qualquer assunto poderia falar ou desabafar. Se hoje choro não é por ela que, finalmente, dorme em paz: é por mim, que, na minha alma, acabei de ficar muito mais pobre!
Adeus Zezinha Querida. Até qualquer dia!
João M. Vidal
[0.609/2012]
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
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