Pela primeira vez vai haver um Orçamento de Estado aprovado
por maioria absoluta obtida por sufrágio directo, popular, universal e secreto.
Lembram-se certamente, até pela polémica trocista criada pelos
comentadores e políticos, de Costa ter acabado um debate com a imagem da capa do
Orçamento de Estado.
Dizia-se então que aquilo tinha sido um erro crasso e a
galhofa ouvia-se por ele ter passado a mensagem de que competia à
universalidade dos eleitores explicar aos então eleitos que estavam errados
quando chumbaram o último OE na Assembleia da República.
Agora não há dúvidas e os comentadores podem engolir o sarcasmo.
Todos os Deputados, à excepção do Grupo Parlamentar do PS,
estavam errados.
Os portugueses, em democracia directa, aprovaram o OE por
maioria absoluta.
Só falta levá-lo de novo à Assembleia da República para o
formalizar.
Uma vitória contra o cinismo, a arrogância e contra todos que sacodem a água do capote na fuga das suas responsabilidades.
Que ninguém esqueça.
Uma vitória da democracia contra todos que se julgam donos dos votos dos eleitores e não os respeitam. Que ninguém esqueça.
Uma vitória muito doce, mas que deixa um amargo de boca por ver fundadores da democracia a sair da sua casa e escancarar as portas a quem a pretende dinamitar.
Hoje é aquele dia idiota que foi
inventado para que se saiba que também há dias idiotas e que só idiotas ainda
não tiveram tempo para extinguir sempre que sentaram os seus ilustres traseiros
nos couros de São Bento nos últimos, quase, 50 anos.
Cumpridor, não serei desobediente à
Lei idiota e não venho aqui apelar ao voto naquele Partido que já sabem ser meu
costume aconselhar, mas só reflectir sobre o poder real, no sentido de monarquia
absoluta que, a partir de depois de amanhã, o agora mudo, pouco selfie e minimamente
afectuoso residente na Real Quinta de Belém vai passar a ter, caso os eleitores
republicanos (e não só) entendam fundar uma salganhada dinástica com os votos
que depositarão, ou não, nas urnas.
Estamos na iminência de um golpe monárquico
que iniciará a nova dinastia dos Sousa, onde o Rei exibirá o seu cetro para fazer
os jogos de poder que maquiavelicamente sabe conduzir ao chamar ao Páteo dos
Bichos todos os jograis para, de entre eles, escolher o Bobo da Corte que
melhor o divirta.
É também nisso, que neste dia idiota
de reflexão, reflito, e refletindo alto, deixo escrito para apelar aos meus
poucos leitores que usem o seu voto para criar uma solução sólida e maioritária
que inviabilize a vichyssoiseque se adivinha a ser servida nos
banquetes de Dom Marcelo I, a partir deste novo 31 de Janeiro.
Cá para mim maioria absoluta de esquerda e maioria absoluta do Partido Socialista é precisamente a mesma coisa.
O Partido Socialista sempre foi um Partido plural e de esquerda, senão a direita não o considerava como tal e sempre foi sensível aos problemas sociais e de solidariedade. Pode, e deve, negociar para além do seu Programa medidas que nele não sejam consideradas, mas não deve deitar para o lixo o Programa que submete a eleições para adoptar Programas de outras esquerdas que nada têm a ver com os seus Princípios.
Principalmente, o Partido Socialista não pode fazer sufragar um Programa e depois apresentar na Assembleia da República um Programa de Governo que ninguém sufragou a não ser que o Governo seja de coligação, o que não se passou nos últimos 6 anos.
Tanto faz que tenha maioria absoluta ou relativa.
O Programa sufragado é para cumprir e, sendo dependente da Assembleia da República, todas as medidas que tiverem de ser tomadas receberão os votos de quem com elas concorda. Pode limá-las para obter a votação, mas serão sempre as suas medidas.
É por isso que me espanta ver, em campanha, o PCP e o BE virem com a conversa de que, nos 6 anos, foi graças a eles que se conseguiu “isto ou aquilo” quando o Governo era só PS e só o PS foi responsável pelo “isto ou aquilo” que foi conseguido, limado ou não por negociações feitas com os outros Partidos.
Ainda assim é preferível que o Partido Socialista tenha uma maioria absoluta para não ter de terminar, como terminou há uns meses, às mãos de chantagem de quem agora reclama louros, mas não hesitou derrubar aqueles que os fizeram vingar.
É por isso, porque sei que o Partido Socialista sempre foi um Partido dialogante e aberto a acolher melhorias às medidas ao Programa com que se faz sufragar, que depositarei nele o meu voto de confiança na esperança que os resultados eleitorais lhe permitam governar com estabilidade nos próximos 4 anos.
Entre muitas
outras vantagens, como as de permitir votar a quem não o poderia fazer no dia
30 e de, teoricamente, desanuviar as mesas de voto no próximo Domingo (embora
os números refiram que o “antecipado” seja absolutamente residual), resulta a
de demonstrar que o chamado “dia de reflexão” é o maior aborto legislativo hoje
existente.
Lamento que, tal
como se tem verificado com os agendamentos para a vacina Covid, muitos dos que
se inscreveram não estejam a comparecer o que provoca um desperdício de recursos
absolutamente inaceitável.
Embora a solução
não me desagrade, como disse no início do texto, prefiro o voto no dia das eleições
por considerar que esse é o dia da festa da democracia.
Claro que isso é
coisa minha que voto por convicção e não para despachar um dever.
O Sindicato
Independente dos RNA de Cadeia Simples e Senso Positivo (SIRNACSSP) comunica a
todos os seus associados da categoria SARS-CoV-2 que irão estar em greve de
contaminação no próximo dia 30 de Janeiro de 2022.
Prevê-se que nesse
mesmo dia se venha a realizar um plenário geral, entre as 18 e as 19:00 horas,
para decidir as acções de luta a realizar nos dias seguintes.
Para todos os efeitos
que possam horripilar os PAN's se informa que a gola da samarra acima reproduzida é feita com peles de bichinhos que falecerem de velhice depois de
terem tido uma vida feliz, sustentada, e com alimentação totalmente biológica e
vegan.
Até a Acácia do André o pode
comprovar porque foi ao funeral de todos eles.
Falam, falam, falam,
mas a verdade é que já posso tomar mais 12 cafés do que tomava no ano passado
(pelo menos no café aqui ao lado de casa onde o café custa setenta cêntimos).
Foi ali ao site da CGA
e espantei-me com a minha aposentação aumentada.
E não foi coisa pouca,
12,25€/mês o que me fez entregar mais 3€/mês ao Fisco e vai dar ao Sr. Graça do
café de bairro mais 8,40€/mês e ainda sobram 42 cêntimos para os aumentos de
gasolina.
Quase meio mês de
cafés gratuitos e uns trinta centímetros de deslocação automóvel.
Também fui ao
votómetro do Observador e reconheço que aquilo acertou na minha primeira opção.
(não irei publicar o boneco e deixo à vossa imaginação em quem foi)
Mas falhou
completamente na 2ª porque o PAN nunca terá o meu voto, falhou na 3ª e na 4ª
porque o PSD e o BE também não e falhou em mais uma data de coisas só voltando
a acertar quando meteu o Coiso em último lugar (teria preferido que ele - o
Coiso - nem tivesse tido lugar no boneco, mas isso era pedir demais ao
Observador)
O que é que isto
interessa? Nada, até porque se sabe que aquilo que anseio é ver o exacto OE que
não baixou à especialidade a baixar e, já agora, lá receber luz verde para ser
aprovado na volta ao plenário e entrar rapidamente em execução.
Leio e vejo por aí que
anda muita gente com fornicoques por um alegado candidato a primeiro-ministro,
coisa que me faz fornicoques a mim que no dia 30 estou a pensar votar só para
os deputados à Assembleia da República, ter mostrado a capa do Orçamento de
Estado no fim de um debate.
A coisa pode parecer
fora do contexto, mas é a mensagem mais clara que até hoje vi.
Pena não ter tido
legendas e haver quem se fique nos fornicoques para inventar que o “alegado” estaria alucinado pelo debate e por isso acenou com um documento “ainda
por cima reprovado”, que horror.
Se aquele trecho mudo
tivesse legendas havia de se ler: “Se votarem no PS e lhe derem poder
maioritário este documento é para ser aprovado e têm hipótese de dizer aos que
o chumbaram que estavam errados”.
Reconheço que a
legenda seria demasiado longa, mas não custa nada fazer o esforço para a tentar
ler.
Sei que Costa não tem
de responder a Rio, nem mesmo quando ele se pika.
Mas aquela de Costa
não ter imediatamente explicado ao pikado que, em geral e em todo o Mundo, um
vôo de escala é mais barato do que um vôo directo, não há “vamo lá a ver” que o
safe de não ter ganho mais um ponto.
A demagogia (e a
ignorância) é sempre evitável, mas se for demagogia pikada só serve, no caso de
vôos, para acabar em aterragens forçadas.
Já agora fica um link para tentar entender porque que é que um vôo de escala é mais barato (e para
isso bastava referir que, em termos de deslocações, tempo é dinheiro) e quais
os encargos a que as empresas de aviação estão obrigadas no caso das escalas
não correrem bem.
Nos debates a que temos assistido é recorrente o uso da expressão “mudar de página”.
Essa expressão, aliada à da “da geração mais qualificada”, como se não fosse normal que cada geração seguinte seja mais qualificada do que a anterior, e agora acrescentada pela do “mel e do fel”, que é reconhecida na maquilhagem aburguesada da abelha Maia para disfarçar o ferrão sempre pronto, diz bem aquilo que temos.
Falta ainda a expressão “Seis anos de Governo de Esquerda da Geringonça” quando todos sabemos que foram só quatro porque o mel e o fel há muito (e não só nos orçamentos dos dois últimos anos) anda de mão dada com a metade dextra do Parlamento onde sempre, exceptuando quatro anos para não ficar isolada da canhota que Jerónimo (boas melhoras, meu caro) proporcionou da última vez que o PSD ganhou as eleições, preferiu a radicalização do protesto por saber ser a única forma de ganhar palco.
Dito isto, preferia que em vez de “mudarmos de página”, mudássemos de livro para passarmos a ter uma prosa mais consistente e menos ficcionada.
Antes uma boa comédia de falas capaz de pedir um “encore”, do que este drama pífio de falsete que termina sempre em pateada.
Sorri e agradece quando o Xico lhe chama Miss Simpatia.
Ignora e afirma que, ao contrário de Rui, com ele André não passará.
Encolhe os ombros quando Catarina e Jerónimo se fazem de lucas e lhes responde como Lucas escreveu em Mateus 23:27-28:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.”
Afaga o outro Rui que se fez Livre para lhe dar poder há uns anos.
Corteja a Inês para a cernelha quando ela se posiciona equidistante entre o ruedo e o callejón.
Mas o melhor de António foi o broche, em forma de rosa, que ontem mostrou na lapela para apelar, não à maioria absoluta, mas a uma maioria de metade mais um.
Esteve bem, ou não andasse por terras da planície.
Actualização: O texto abaixo continua válido para o tipo de respostas que se dão aos cidadãos quando se dirigem a um serviço público, mas a partir de hoje (9/1) já passou a constar no meu certificado digital o esperado 3/3. Ao que parece, as redes sociais sempre servem para alguma coisa.
Quando é que a estupidez ultrapassa o limite do aceitável?
Quando um utente que pede o seu certificado digital Covid e verifica que nele não consta que tem as três doses tomadas (porque só lá vem 2/2) e, ao reclamar no portal do SNS, na área de sugestões/reclamações, em vez de encaminharem internamente essa reclamação/sugestão, enviam uma mensagem a dizer para se contactar a linha SNS 24.
O funcionário que manda tal mensagem não tem noção que a linha SNS 24 está assoberbada com casos urgentes (a que já não consegue dar resposta) e que em caso algum deve encaminhar assuntos deste teor para uma linha de emergência?
É confrangedor assistir ao frete que os lideres partidários fazem quando vão às televisões tentar vender peixe selvagem quando aqueles a quem o apregoam mal têm dinheiro para comprar o pescado de aquacultura.
Parecem viver numa realidade virtual, cada vez mais ausentes da emergência dos cidadãos e intitulam-se como Partidos políticos de militantes ao mesmo tempo que surgem como Partidos unipessoais.
Quando tiver o voto e a caneta na mão tentarei votar nesses homens e mulheres e, se no boletim não constar a sua cara, mas sim o nome e sigla de um Partido, ficarei sem saber o que fazer.
Eram tempos em que não se discutia vacinas, políticas, direitos. Aliás, eram tempos em que praticamente nada se discutia (pelo menos publicamente) porque a discussão podia acabar em cadeia.
Eram tempos de tostões, de salário mínimo inexistente, de imensa viagem quando se falava de ir de Lisboa ao Porto.
Eram tempos de analfabetismo onde já quase era doutor quem tinha o 5º ano dos liceus.
Eram tempos de canhota ao ombro para os jovens de dezoito anos que não seguiam estudos.
Há 48 anos eram esses os tempos. Era o que havia.
Nesses tempos, faz hoje 48 anos, um bando de 73 cábulas, uns porque o eram, outros porque não o sendo não tinham mais possibilidades de estudar, viu-se seleccionado, entre outras centenas de candidatos, para ganhar asas que lhes permitissem sobrevoar, transportar, proteger e evacuar todos os outros jovens a quem estava destinado pisar minas no meio do mato.
Esses eram tempos em que Abril ainda era o futuro que só a poucos se deixava adivinhar.
Foram tempos, faz hoje 48 anos, em que esse bando de jovens se apresentou na Granja do Marquês para constituírem um grupo de amigos improváveis a quem nem a morte separa.
Verifico que, com este post, este ano só dei 10 tesouradas nas guedelhas que por aí pululam.
Coisa pouca para um barbeiro, mesmo que reformado, num País onde abundam despenteados, mas foi o que se conseguiu fazer nestes tempos pandémicos e com inúmeras redes sociais onde é mais fácil sintetizar ao correr da pena.
Talvez para o ano afie melhor as navalhas e tesouras para desbastar cabeludos e escanhoar barbas mal desfeitas embora saiba que, por aqui, o universo de clientes seja bem mais reduzido do que nos lugares por onde tenho andado.
Certo é que ainda não será desta que fecho as portas deste estabelecimento onde a clientela é mais restrita.
Festas felizes para estes meus fregueses selectos.
Tenham um novo ano com saúde e paciência que muito nos faz falta para aguentar tudo o que temos aguentado nos dois últimos anos.
O discurso de Rui Rio que há pouco ouvi foi mais uma peça de banalidade e demagogia capaz de ser proferido por qualquer taxista encartado (desculpa aos taxistas pela expressão).
Os populistas começam sempre por apontar tudo o que está mal deixando a quem os ouve o exercício de imaginar soluções para os problemas apontados.
Mesmo as contradições como, por exemplo, declarar que as verbas devem ser aplicadas no investimento e não no consumo do Estado ao mesmo tempo que diz ter de se aumentar o número e remunerações dos profissionais de saúde, ensino e por aí fora, demonstra bem o grau da demagogia usada.
Aproveitando a quadra natalícia diria que Rio me fez lembrar aqueles Pais Natal mal enjorcados que, na minha infância, via no Rossio com um saco gigante às costas cheio de papel de jornal amachucado para parecer estar cheio de presentes.
Ridículos, como escreveu Álvaro de Campos no seu "Poema em Linha Reta", quando engalam os orifícios que têm na cara com trapos pindéricos onde ostentam os símbolos dos cargos públicos que exercem.
Olho para essa gente, que quer ser mais do que gente, e sorrio para dentro ao pensar que, quando a pandemia passar, devem fazer uma tatuagem na testa que faça saber que ali está gente temporariamente importante.
Deus me dê saúde e paciência para continuar a ouvir os noticiários que não param de abrir com atrocidades tipo lesa-pátria que resultam de um líder recentemente eleito num Partido ter a indignidade de seleccionar a sua lista de deputados para as próximas legislativas, coisa que, como se sabe, nunca aconteceu antes.
Uma vergonha.
Democracia a sério é fazer como o ex-líder do Benfica que escolheu um sportinguista para ser treinador da sua equipa ou um ex-lider do PS que resolveu abrir o universo eleitoral para eleição do seu Secretário-geral aos cidadãos em geral e termos visto inúmeros simpatizantes do BE e do Livre a votar contra os militantes do PS.
Nota: Nada me demove de continuar a pensar que a única utilidade do Livre foi a eleição do actual SG do PS, mas isso vocês já sabiam.
Quando, há quase 48 anos, o rolar era em ziguezagues e alinhávamos, o que emocionava não era o betão que no regresso nos retornaria homens mas o ronquido da descolagem que nos fazia Fénix.
Enquanto a pandemia empata, o Mundo pula e avança.
Numa semana 3 Países terrestes chegaram a Marte. O mais espectacular dos 3 é este que já se passeia por lá em busca de vestígios de vida a menos de 50º centígrados.
No filme não se vê mas o Rover tem armazenado um helicóptero que o guiará nas missões.
De seguida fica a simulação do Ingenuity Mars Helicopter, a primeira aeronave terreste a voar noutro planeta
como também fui um dos primeiros subscritores da sua candidatura.
Ana Gomes, de quem gosto pela garra e pela sua história, mas de quem discordo frontalmente quando defende a, para mim indefensável, pirataria informática mesmo que disfarçada de serviço público, veio preencher o vazio criado pela direcção do PS que seguiu cegamente António Costa na hipocrisia de anunciar um candidato de direita sem nunca assumir que essa candidatura era apoiada oficialmente pelo Partido Socialista.
Como em política não há vazios a minha opção e o meu voto não tiveram opção de escolha.
Mas tanto Pedro Nuno, como Magalhães ou Porfírio esquecem que Ana Gomes só se ofereceu para preencher o vazio criado pelo cinismo da Autoeuropa porque ninguém quis correr esse risco antes dela e recordo que Ana Gomes esperou até ao limite para que a alternativa aparecesse.
Tivesse Pedro Nuno Santos tido coragem para avançar e provavelmente Ana Gomes não se teria imolado numa candidatura recheada de anticorpos (inclusivamente futebolísticos) destinada a um segundo lugar por falta de arrojo inicial de se bater para ganhar em vez de se apresentar, no arranque, somente como travão de uma extrema direita quase inexistente antes de ser impulsionada pelo relevo que a esquerda lhe deu.
Tivesse Pedro Nuno Santos assumido o espaço político vazio resultante da opção pessoal de António Costa de apoiar Marcelo Rebelo de Sousa, preenchendo esse espaço com a agregação dos socialistas (que a candidatura de Ana Gomes não quis fazer – veja-se o que elaborou quando comparou Costa a Viktor Orbán e a multiplicação de “Grupos de Apoio” que se dedicavam mais ao ataque ao PS do que a Marcelo, p.e. e que fizeram muitos socialistas e simpatizantes virar-lhe as costas) somando-lhe o apelo, que ele conseguiria, ao restante eleitorado de esquerda e os resultados presidenciais teriam tido expressão diferente.
Falamos depois do jogo acabado, é verdade, e por isso não sabemos se os votos que foram expressos na extrema direita e que fugiram a Marcelo teriam existido se a direita democrática se visse na circunstância de votar útil em Marcelo para não perder as eleições, mas a verificar-se a fuga que se verificou dos votos da direita democrática para a extrema direita e obtendo-se a agregação dos votos socialistas num candidato capaz de chamar outros da outra esquerda, a segunda volta estaria segura.
Um dia, há 33 anos, a minha Mãe começou a ficar com a barriga grande e, desconfiada por ter engolido uma ervilha inteira, foi fazer uma coisa muito esquisita e inovadora a que chamavam “ecografia” para saber se era mesmo uma ervilha, e era.
Só que a ervilha foi crescendo e no dia 29 de Dezembro de 1987 resolvi vir cá para fora para lhe dar cabo da passagem de ano.
Ás 18:30 horas, cheia de pressa, subi para a balança para me certificar que tinha peso suficiente para a berraria e quando conferi ter 3,750 Kg enchi os pulmões para só me calar quando me deram de comer.
O tipo que estava a olhar para mim com baba a correr pelos queixos informou-me ser meu Pai e levou-me para o quarto 221. Pelo caminho disse-me que, em vez de ervilha, eu passaria a chamar-me Margarida Maria, mas como era um nome com muitas letras passou a tratar-me por Gugas, Guga, Gugu ou Guguinhas.
Depois chegou uma outra miúda com um totó na cabeça, que depois vim a saber ser a minha irmã Catarina. Avisei-a logo que o seu reinado absoluto tinha terminado.
Bem vi o olhar desconfiado da Catatau a espreitar-me como se eu fosse uma coisita esquisita que se preparava para dividir o espaço lá de casa e para partir-lhe os brinquedos de que mais gostava.
O resto já sabem.
Cresci, conheci o Martim, tive uma outra ervilha a que chamei Mariana e vivi até agora feliz para sempre.
Muitos parabéns minha filhota fofa.
Nota: O filme que montei tem como banda sonora uma pequena parte do "Nem um dia" do magnífico Djavan.
A sua publicação no Facebook provocou uma infinidade de avisos sobre a proibição de reprodução em diversos Países (entre os quais não se encontra Portugal) devido aos direitos de autor.
Penso que Djavan não se teria oposto à colagem daquele trecho uma vez que não reproduzia a música completa e só serve para ilustrar uma montagem feita por um Pai confinado na pandemia que, por estar ausente no aniversário de uma das suas filhas, resolveu comemorar a data com um trabalho onde os acordes de Nem um dia faziam todo o sentido.
Mas é o que é, e o que é não pretendeu ser outra coisa senão homenagear a Margarida usando alguns acordes de um dos meus artistas de eleição sem beneficiar de quaisquer efeitos comerciais e só para uso privado.
Como o trecho sonoro é curto vou ali ao YouTube buscar a faixa completa (com direitos licenciados para o YouTube) que deixo aqui para quem gosta de boa música.
Tenham um bom e feliz 2021 recheado de boa música.
Saber que Isabel Barroso Soares vai ser a mandatária da
candidatura de Ana Gomes a Presidente da República só serve para reforçar a
minha convicção de ter escolhido bem quando assinei a propositura da
embaixadora para ser alternativa ao marasmo cordial e situacionista instalado
no Páteo dos Bichos.
Confesso que Marcelo Rebelo de Sousa não me criou quaisquer
urticárias no mandato que está a terminar e que lhe serei sempre reconhecido
por ter levado uma lufada de ar fresco ao ambiente bafiento que se instalou no
Palácio de Belém com o seu antecessor.
Mas é tempo de Ana Gomes instaurar o tal “botão de pânico” no
picadeiro real que possa ser accionado, entre outras coisas, sempre que alguém
pretenda atafulhar papeis em processos para eternizar o desleixo da justiça ou
agraciar qualquer bicho-careta ou pilha-galinhas com uma comenda.
Ninguém poderia querer ter melhor mandatária.
E não o digo
por Isabel Soares se parecer física e moralmente com Maria Barroso, o que já
seria uma referência de vulto.
Mas por ela própria, pela sua dignidade, pela sua competência
humilde, pela sua sensibilidade e pelo seu culto sentido de justiça e de
humanidade.