sexta-feira, 16 de maio de 2008

Botão Barbearia[0.439/2008]
Os Reviralhistas [ I ]Alto Astral

O reviralho de que fala Campilho, Vasco, é um conceito político interessante para quem nunca entendeu, nem venha talvez alguma vez a entender que, por alguma razão, a área social-democrata internacional só reconhece e aceita o Partido Socialista Português.

Os sociais-democratas europeus sabem quem os representa em Portugal e, por isso, não só consideram o PS em exclusividade, como até já escolheram durante muitos anos para presidir à internacional onde estão agrupados, o meu camarada António Guterres.

Faz bem Vasco Campilho em desfraldar a bandeira do PPD no O Futuro é Agora, porque a do PSD sempre foi um projecto nunca alcançado. Faz bem Vasco em entender que não estão no terreno para facilitar a vida do PS. Faz bem Campilho em falar em alternativa e não em alternância, como também faz bem em falar de matriz liberal em vez de matriz social-democrata. Faz bem e espera-se que seja esse caminho que Pedro Passos Coelho venha a trilhar quando for eleito para bem da nossa democracia que começa a estar farta do mesmo nos dois partidos do poder.

Mas essa do PRECistas, Companheiro Vasco, não lembrava nem a MFL. Você já esqueceu a Fonte Luminosa, o combate de 74/75 e quem foram os que encabeçaram essa luta nacional enquanto o PPD andava (já) em guerrilha interna para saber se ia buscar Sá Carneiro a Inglaterra?
LNT
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-> O Futuro é Agora - Vasco Campilho

1 comentário:

Vasco Campilho disse...

Caro Luís,

gosto sempre de ler os seus textos, mesmo quando não concordo, e penso que você me percebeu bem melhor do que o seu camarada Tiago Barbosa Ribeiro.

Vou tentar explicar melhor um ponto que muito enxofrou o Tiago, e que a si também causou alguma perplexidade. O PS tem, a meu ver, raízes republicanas, reviralhistas e PRECistas, e não entendo essas referências como forma de menor respeito pela matriz genética do partido, que é diferente da do meu.

Republicanas: o PS herda a tradição - até por via familiar - da elite republicana e laica que foi deposta em 1926. Penso que isto é incontroverso.

Reviralhistas: o PS herda uma linhagem de oposição ao Estado Novo formada por círculos elitistas e conspirativos, pouco sustentados em movimentos sociais, esperançados na virtualidade de uma intervenção militar (como in fine veio a acontecer) e desconfiados da hegemonia comunista na oposição.

PRECistas: ressalvo desde já não uso esta expressão de forma depreciativa. Constato apenas que o Processo Revolucionário Em Curso é um período de referência para a identidade do PS, quer por as suas bases se identificarem com algum do lirismo esquerdista que marcou a época, quer por o PS ter definido nessa altura o seu papel histórico de guardião dos equilíbrios políticos na sociedade portuguesa, travando o avanço do comunismo sobre o poder político, mas autorizando uma forte colectivização económica e hegemonia cultural da esquerda totalitária, o que lhe permitiu adquirir uma posição estratégica ímpar na sociedade portuguesa.

Talvez o Luís preferisse se eu dissesse que o PS tem uma memória abrilista. Mas eu entendo que Abril, o 25, não se divide por partidos. Não foram os partidos que o fizeram e nenhum deles o pode reclamar para si.

Quanto à IS: o Luís sabe bem que as razões pelas quais a acessão sempre foi negada ao PSD são bem mais prosaicas do que as que refere. Mas essas são águas passadas, e pessoalmente dou-me por muito satisfeito que o meu Partido não seja parte dessa organização.

Um abraço,

Vasco Campilho