sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Podia Portugal sobreviver sem esta gente?

Miguel Telles da GamaPoder, podia, mas não era a mesma coisa.

Os especuladores deixavam de ter área de acção. Os corruptos e os corruptores deixavam de ser notícia de primeira página. Os frigoríficos enchiam-se de calorias para nosso mal. As pessoas não tinham bombos onde desancar.

O João Gonçalves e outros não tinham matéria para dizer tanto mal e o bruxo Medina Carreira tinha de andar mais 20 anos a dizer aquilo que não fez quando foi Ministro das Finanças.

Podia efectivamente sobreviver mas, sem a gatunagem, a ladroagem, a roubalheira, o tremendismo, o facciosismo, o bota-abaixismo e o chico-espertismo, não só não era a mesma coisa, como lhe faltava a coisa com que nos coisam o juízo todos os dias.
LNT
[0.380/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCX ]

Homenagem a Tito de Morais
Homenagem da CE das CCTM a Manuel Tito de Morais - Lisboa - Portugal
LNT
[0.379/2010]

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os tempos que correm

CasulosÉ muito mais cómodo e prático, embora dispendioso, dar uma Play Station que ocupe e faça um miúdo "desamparar a loja" do que lhe oferecer três bichos-da-seda. A Play Station alimenta-se do mistério escondido nas tomadas da parede e os bichos-da-seda obrigam a reconhecer uma amoreira.

Nos tempos que correm sobra, aos adultos obcecados com o caminho para o vazio, pouco tempo para a arte.

Aquela coisa de ir buscar a caixa de sapatos com os ovos do ano anterior e deles ver sair os bichos, alimentá-los até ao momento de desaparecerem escondidos num casulo e aguardar que a natureza os mascare de borboletas, era todo um programa de infância que incluía também a arte de trepar às árvores e uma outra arte fundamental que consistia em saber esperar.
LNT
[0.378/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCIX ]

Casulo de Bicho da Seda
Casulo de Bicho da Seda - Lisboa - Portugal
LNT
[0.377/2010]

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

... e o dinheiro pela hora da morte

Sapo no frascoAgora que os meninos já se cansaram de brincar às negociações, coisa que se adivinhava desde o início, abrem-se os canais para, com dranguilidade e normalidade, o PSD se abster na votação do OE.

Voltamos assim ao cenário que Passos Coelho deveria ter aceite desde o primeiro dia.

Quando se prontificou a negociar só tinha dois caminhos. Ou votava a favor, porque as negociações tinham resultado em sucesso, ou votava contra porque as negociações não tinham trazido consenso. Em qualquer dos casos teria de assumir a sua quota-parte de responsabilidade pelo OE.

Com a ruptura das negociações voltamos ao primeiro estado. O PSD nada tem a ver com este OE mas irá deixá-lo passar evocando os "altos interesses da nação".

Preferiu engolir o sapo a tê-lo dentro de si por métodos mais drásticos.
LNT
[0.376/2010]

O exercício da desresponsabilização

Aníbal Cavaco SilvaOntem ouvi, incrédulo, o exercício da desresponsabilização no seu expoente mais elevado.

Um homem estimável, é certo, mas com responsabilidades acrescidas perante os cidadãos de Portugal subiu ao palco, como se não tivesse qualquer responsabilidade do estado calamitoso em que nos encontramos, para de lá informar que se recandidata a fazer, por mais cinco anos, aquilo que fez nos últimos cinco.

Pouco adianta, e já se ouve por aí o habitual "a culpa é dos outros", dizer que ele não poderia ter feito mais e melhor. A verdade é que fez mal e pior, é responsável, tem experiência (conforme confirmou), tem sabedoria e conhecimento (conforme informou), teve na sua mão o poder de zelar pelos nossos interesses e acaba o mandato, que agora iremos avaliar, com todos os objectivos que se determinou a cumprir muito abaixo das metas propostas.

Cavaco Silva não é um homem qualquer. Foi Ministro das Finanças, foi Primeiro-Ministro durante os dez anos em que o dinheiro comunitário jorrou como mel dentro de uma misturadora de betão e para a mão da classe empresarial mais irresponsável da Europa que tratou de o derreter em mordomias, ganhou duas maiorias absolutas, presidiu ao então maior Partido político português e concorre pela terceira vez ao cargo de Presidente da República.

Cavaco Silva, um professor de economia, diz apresentar-se com humildade perante os seus concidadãos para que eles julguem o péssimo trabalho que desenvolveu.

Desta vez não há enganos, estamos a sentir na pele e no bolso o seu mau desempenho.

Não se trata de um teórico manual de estudo ou de um trabalho académico. Trata-se do mundo real, das dificuldades patentes, da pobreza, da destruição da qualidade de vida, da inoperacionalidade da nossa economia, do falhanço completo das promessas com que se candidatou há cinco anos.

Em qualquer empresa gerida por objectivos, um presidente com tal desempenho, já teria sido despedido há muito. Nós somos os accionistas desta e é esse desempenho que iremos votar. Os outros poderes não estão agora em avaliação.
LNT
[0.375/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCVIII ]

Vieira de Leiria
Vieira de Leiria - Portugal
LNT
[0.374/2010]

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vencer ou morrer

Vencer ou Morrer

O João Gomes de Almeida pediu a divulgação e, como os amigos são para as ocasiões, aqui fica o convite para o lançamento do primeiro livro de ficção de Mendo Castro Henriques.

As marcações estão abertas a todos os que comunicarem a intenção de ir.
21 4246 903 (Maria da Luz Amado)
LNT
[0.373/2010]

Fisgadas

Metro
O gratuito Metro de hoje traz uma foto de mão-cheia na primeira página.
Dá-lhe a caixa alta de:
"Abre a caça na coutada de Belém".

No entanto, olhando bem os elásticos da fisga que Cavaco estica, vê-se que eles estão torcidos o que o faz correr o risco de apanhar com o seixo no olho.

Oxalá não!
Já todos sabemos que Camões não é o seu forte e para zarolho já basta assim.
LNT
[0.372/2010]

O xixizinho dos negociadores

Anabela NevesAnabela Neves, a portento do jornalismo televisivo (desde que a vi uma vez no Rato a passar por cima de toda a gente, inclusive dos seus camaradas da comunicação social, fiquei logo elucidado sobre a peça) informava ontem, à porta da sala da Assembleia da República onde se reuniam os negociadores do Orçamento, que os mais novos eram aqueles que mais vezes abandonavam a reunião para ir à casa de banho.

Perante a informação dada num jornal nacional, com tanta ênfase, percebi que ela codificava informações relevantes sobre o tema das negociações em curso e que o assunto versaria a aplicação do IVA. Nas entrelinhas subentendia-se que já não era a magna questão do leitinho achocolatado que preocupava os reunidos, uma vez que esse assunto é mais querido ao ausente Passos Coelho, mas sim as fraldas, ou as algálias, que permitiam aos mais velhos não abandonar a mesa das negociações para satisfazerem as suas necessidades fisiológicas.

Com os magistrados a fazerem as tristes figuras que vamos acompanhando, os políticos a avisarem da indigência a que estão sujeitos, só nos faltava a comunicação social entrar nas conversas dos "cocós e dos xixis" para fechar o ciclo da porcaria em que andamos metidos.
LNT
[0.371/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCVII ]

Golf
Golf - Lisboa - Portugal
LNT
[0.370/2010]

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As pessoas sensíveis

Sophia de Melo Breyner Andresen
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
Sophia de Melo Breyner Andresen
Sem apontar os hipócritas, porque não lhes dou o troco, associo-me ao Eduardo Pitta no repúdio à utilização abusiva do nome de Sophia.

A Sophia tenho profundo respeito e dela guardo a memória, como marca de vida, da sensibilidade e do respeito pelos outros, principalmente pelos que sofrem.

O ocasional encontro nos passos perdidos, coisa de dois ou três minutos, foi tempo suficiente para saber que ela não perdoava, principalmente aos devotos, a hipocrisia e o obscurantismo.

O seu apelo ao "não o façam" não é um apelo ao "condenem-nos!".

Leia-se o poema e compreenda-se.
LNT
[0.369/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCVI ]

Cascais
Cascais - Portugal
LNT
[0.368/2010]

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ainda a estória do coelho e do consultor

CoelhoSe bem li, a coisa mais interessante no Plano B para o OE apresentado por Passos Coelho, é a compensação da redução dos benefícios fiscais em sede de IRS – vulgo "deduções" –, através da atribuição de Títulos de Dívida Pública ou Certificados de Aforro.

A coisa é interessante, repito, e é um achado. Melhor, nenhum outro consultor seria capaz de inventar com tanta imaginação. Uma verdadeira janela de oportunidade, um mundo novo sem complexidade de onde olhando transversalmente se conclui que a operacionalização da tal medida ficaria mais cara do que a poupança arrecadada.

Será que esta gente alguma vez pára para pensar?

A coisa menos interessante é verificar que alguém faz uma proposta para, em troca, se abster na votação daquilo que propõe.
LNT
[0.367/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCV ]








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LNT
[0.366/2010]

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aos peixes

AspirinaO Val, base activa do Aspirina, tem em comum com este vosso barbeiro os ensinamentos da escola jesuíta.

Tal como nos idos em que os Távoras quase desapareceram no churrasco e em que a Companhia de Jesus foi persona non grata aos olhos de Carvalho e Melo, personagem que mais tarde veio a merecer o castigo de ficar perpetuamente associada a um leão no mamarracho que lhe erigiram entre o falo do vinte e cinco do quatro e o espaço das "barracas dos tirinhos", que o menino guerreiro e o eng.º que o intercalou meterem em bolandas e negociatas, a escola de João de Brito continua a ser alvo de ódios dos dominicanos e dos burgueses dominantes que nunca conseguiram entender a diferença entre nobreza e fidalguia.

O Valupi é muito mais elaborado que este vosso esteticista. É, digamos, mais culto, uma vez que fala de livros e faz transcrições e é, digamos também, mais hábil, porque faz de conta que mal por mal, antes assim do que assado. Deve ser mais recente nos ensinamentos de Inácio de Loyola.

Talvez por isso o Val escreva que: "Chavéz vem aí e eis o que pode acontecer: compra-nos o segundo submarino e paga-o com petróleo". Com isto segue o ensinamento da Companhia: "A humildade não tem mérito quando é contrária à obediência".

Se fosse um rebelde da contra-reforma, como pretende ser este que aqui escreve, acrescentaria à oração sobre Chavéz, a seguir a "o segundo submarino", – "...capitaneado pela muita tralha que anda por aí e equipado com tecnologia magalhãenica".

Ao não o fazer ficamos como no quartel de Abrantes - tudo como dantes.
LNT
[0.365/2010]

Quatro, três, três

CenouraA equipa do ainda maior Partido da oposição, desde que contratou o júnior massamamense como mister, tornou-se tão previsível nas fintas que os defesas abrantinos já lhe preparam o terreno de forma a que os avançados passem o meio campo, aparentemente à-vontade, para de seguida lhes tirar o esférico e, mesmo dali, o dispararem com efeito e potência para o fundo das redes.

Ao meio-tempo, o Desportivo de Massamá está na posse da bola engonhando nos 22% o que a estratégia dos Académicos das Beiras tinha colocado nos 23% para lhes dar uma cenoura em campo minado por sapos.

O povão ululante, de peito cheio e com vovuzelas nas beiças, continua a encher a bancada.

Ainda não será desta que acenarão com lenços brancos, embora tenham de pagar mais caro os couratos.
LNT
[0.364/2010]

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Que nem uns alhos

Alho

Os americanos não têm Bilhete de Identidade.
Os ingleses não têm Constituição.
Os belgas não têm Governo.


Quer isto dizer que há paises civilizados que já descobriram haver certas inutilidades que só servem para atrapalhar.
LNT
[0.362/2010]

Sapo azul e branco – higiene oral

SapoPelo que se lê vai haver festa no charco.

Já se montou a tenda e o prato do dia, à noite, é caldeirada de batráquios.

Com tantos órgãos a reunir à noitinha prevê-se que os sapos se apresentem em traje de gala, ou em pontas, tanto faz.

Quem os não quiser engolir inteiros, sempre os pode pegar de cernelha.
LNT
[0.361/2010]

Grifes

Cegonha passadeiraOs povos também têm as suas grifes.

Como vi há pouco, quando um peão olhou com arrogância para a grelha do meu carro que parou (dever) para o deixar passar na passadeira (direito) onde entrou sem sequer olhar para o lado (arrogância, descuido e estupidez).

No trajecto que fez com o vagar de quem tem o pequeno poder de fazer todos os outros esperarem (direito), descascou um maço de tabaco e deitou o celofane e a prata para o chão (civismo), escarrou duas vezes (civismo) e mostrou o maior-de-todos erecto, entre o vizinho e o fura-bolos vergados (educação), ao automobilista distraído que fez chiar os pneus para não lhe acertar com o pára-choques.

Aproveitou ainda para mandar, do seu aspecto javardo e andrajoso, à miúda que ia no passeio para o liceu, um: "comia-te toda". Esqueceu-se de coçar os tomates.

A postura é a marca, o direito é o que basta.
Grande besta!
LNT
[0.360/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCIII ]

Novaes Tito
Família - Lisboa - Portugal
LNT
[0.359/2010]

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Acrobacias

SaposNaquele tempo de sapos, os mais acrobatas eram os que gritavam "agarrem-me senão ele engole-me!".

E eram esses que, quanto mais perto estavam do trampolim (as patinhas em mola já não tinham potência para os fazer saltar), mais gritavam fanfarronices, não só para se mostrarem valentões, mas também pelo receio de que se ouvisse o que pensavam.

Pendurados na membrana natatória do sapo maior que, inchado do trono, lhes enviava coaxos em surdina pelas vocais dos lacaios, os sapos untavam-se para melhor escorregar em direcção ao estômago com esperança de que, ao serem expelidos no término do circuito digestivo, pudessem regressar, sem mácula, ao charco.
LNT
[0.358/2010]

Com o mal dos outros

BoteroA mesquinhez tem destas coisas. Enquanto as coisas acontecem aos outros é suportável, mas quando nos batem à porta tudo muda de figura.

As medidas para os professores eram menos más desde que se não tivesse essa condição. Idem para os médicos, para os polícias, para os enfermeiros, para os bombeiros ou para qualquer outro ramo.
Neste momento são os trabalhadores do sector público. Menos-mal para os do privado.

Divide-se para reinar e reina-se, como sempre se reinou, com a intriga social como ferramenta de governação.

Eles e nós, sendo que o “eles” é, para a plebe, aqueles que por sua decisão ou omissão foram feitos governantes e o “eles”, magestático, é o daqueles que depois de terem sido paridos pelo voto ficaram com o rei na barriga.

Entretanto os “agricultores” que são pagos por todos nós para nada fazerem, protestam por não receber o subsídio de inutilidade, os “empresários” que transformaram os milhões que receberam para modernizar as empresas em Ferraris e Porches protestam porque se lhes acabou o maná, os serviços privados que vivem do Estado porque só existem em função desse cliente, protestam porque o Estado lhes cobra impostos elevados para lhes poder pagar contratos chorudos, os individuais que fazem mini-micro-empresas sem actividade a não ser a de incluir as mães, avós e tias, nas folhas de vencimento para lhes conseguir subsídios de desemprego e pensões, enquanto adquirem automóveis, maples e televisões em nome dessas empresas cuja sede é o seu próprio domicilio, protestam porque os subsídios e apoios sociais vão ser reduzidos em vez de se cortar nos SRM.

Eles e nós. Sempre a dualidade, sempre a perspectiva decorrente de se ser personagem do "eles" ou personagem do "nós".
LNT
[0.357/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCII ]

Cow Parade
Cow Parade - Lisboa - Portugal
LNT
[0.356/2010]

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Arrepiação

Espantalho Alentejo
A ideia que fica é que andamos, há anos, a cavar um buraco com as mãos e agora, que já nem unhas temos para continuar, ainda nos mandam cavar mais fundo como se o fundo depois de atingido ainda tivesse outro fundo por baixo.

E quando questionamos sobre a razão do escavar só temos por resposta que cavar é preciso.

LNT
[0.354/2010]

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sapêlhos ou Coêlhapos

SapoDepois de se ter descoberto que as vacas loucas resultavam das farinhas misturadas na ração dos bovinos leiteiros, os investigadores debruçam-se agora sobre a mutação operada nos láparos que se alimentam de sapos.

Entre outras mutações de evolução da espécie, esperam-se alterações morfológicas ao nível dos incisivos, uma vez que a mastigação é substituída por ruminação.

Consta que os cientistas que ontem se deslocaram à Buenos Aires para apresentarem o workshop "Impactos pilosos resultantes da transformação alimentar dos herbívoros e da fisionomia da laringe por ingestão de batráquios", vieram de lá satisfeitos por terem constatado que, na sequência da alteração da dieta, o pêlo dos láparos não só mantém a sua característica sedosa, como ainda acentua o seu tom alaranjado (pantone Ref. BPN), o que constitui um factor de valorização em futura curtição.

Na Buenos Aires, terreno da pampa, diz-se à boca pequena que para o ano não faltarão golas de pêlo para adornarem as samarras rústicas que marcarão a season.
LNT
[0.353/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCCI ]

Jardim Tropical
Jardim Tropical - Lisboa - Portugal
LNT
[0.352/2010]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Coisas de gajos

PudimE dizia o gajo para o gaijo:

Gajo Aquilo que os marmanjos vão arrecadar com a diminuição dos vencimentos dos públicos vai esboroar-se quando for a altura do IRS. Os públicos vão baixar de escalão e lá se vão as receitas do IRS. Ainda por cima, os públicos são os únicos que não têm hipótese de fugir aos impostos o que resultará numa baita machadada da receita.
Gaijo Pensas que os marmanjos estão a dormir, ou quê? Vais ver que vem aí uma mexida no intervalo dos escalões para que os públicos sejam reenquadrados no escalão que tinham.
Gajo Com caneco! Mas se fizerem isso vai subir o IRS tanto para os públicos como para os privados. Estou tramado!
Gaijo e Gajo Ah, pois estamos!
LNT
[0.351/2010]

O consultor do coelho

Coelho cartolaAndava um consultor pelo mato, num belo dia de Outono e de Orçamento, encontrou um coelho espavorido já com três chumbadas nas orelhas:

O consultor Coelho, porque estás espavorido e angustiado?
O coelho Porque abriu a época da caça e andam por aí uns tipos armados que não me dão sossego.
O consultor Esses caçadores atiram em tudo ou só atiram nos coelhos?
O coelho Atiram nos coelhos e nos outros animais a que eles chamam de caça.
O consultor Tens a certeza que eles não disparam contra as árvores?
O coelho Sim, eles não disparam contra as árvores porque temem arranjar problemas com os seus donos.
O consultor Então tenho solução. Tu, coelho, transformas-te em árvore e nunca mais és incomodado.
O coelho Obrigado consultor, isso é uma grande solução. Como é que me posso transformar em árvore?
O consultor Isso não sei, coelho. Como sabes eu sou um consultor. Arranjo soluções, não as implemento.
LNT
[0.350/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCC ]

Lapas
Lapas - Funchal - Madeira - Portugal
LNT
[0.349/2010]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Execução Orçamental

Guilhotina

LNT
[0.347/2010]

Não tenho a culpa

Crocodilo e hipopótamos

Sim, eu sei. Sei que gostariam de nos ter mansos e controlados mas vão ter-nos rebeldes. Sei que, possivelmente, não haverá outra coisa a fazer senão aquilo que inventaram com o "crescimento negativo" dos vencimentos da função pública. Sei que espalharam aos sete ventos a ideia da inevitabilidade destas medidas.

Sei que a culpa é da Administração Pública. Digo "Administração Pública" e não "Funcionários Públicos".

A Administração Pública tem sido gerida danosamente. É um animal insaciável de muitas clientelas que constituem uma casta destinada a sacar para si os benefícios que resultam de uma Administração Pública descontrolada e ao Deus-dará. São esses (públicos e privados, com e sem cor – muitas vezes privados vindos do público) e não os funcionários públicos que contratam o que não tem de ser contratado, que compram o que não tem de ser comprado, que não gerem o que tem de ser gerido e que colocam nos lugares chave aqueles que asseguram a continuidade dos seus propósitos.

Essa gente fura tudo. Fura os concursos para chefias, o que lhes permite manter em situação provisória (chamam-lhes em substituição), anos a fio, as pessoas que lhes interessa, fura a intenção da Lei, fingindo que o PRACE serviu para reduzir os lugares de chefia quando afinal se destinou só a designar por outro nome esses mesmos lugares que renumera de forma igual, fura as medidas de contenção continuando a inundar os serviços de inutilidades caras em nome de um progresso que nunca deixa acontecer por imaturidade dos processos que implementa e fura o SIADAP adulterando o sentido de avaliação por mérito através de uma coisa a que chamam o “dividir o mal pelas aldeias” ou seja, esquecer que se trata de uma avaliação por mérito e aplicá-la por regras de igualitarismo.

É essa gente e o poder político que lhes permite continuar a agir impunemente que tem a culpa e que deverá ser chamada à pedra. Os segundos são avaliados, recompensados ou penalizados, nas eleições. Os primeiros estão bem e recomendam-se.

Volto a dizer:

Sou funcionário público e não tenho a culpa da situação a que chegámos. Desafio quem quer que seja, seja público ou privado, a demonstrar que trabalhou e produziu numa vida de trabalho, mais ou melhor do que eu.
LNT
[0.346/2010]

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nobel 2010

Mario Vargas Llosa

Já era tempo dos sábios do Nobel voltarem a premiar escritores lidos.

Este ano, justo, o peruano (e espanhol) Mario Vargas Llosa conseguiu o reconhecimento por uma obra vasta, lida e estudada nos sete cantos do mundo.

LNT
[0.345/2010]

Flic-flac

Pastelaria Marques

Partindo da posição de pé sobre o solo, o ginasta flexiona ligeiramente os joelhos e abaixa os braços, em desequilíbrio para trás, e lança-se para trás em antepulsão dos braços e abertura do tronco à posição selada (hiper-extensão lombar), até o apoio das mãos no solo. A seguir o ginasta empurra o solo com repulsão de ombros, carpando o corpo para finalizar o movimento de pé, corpo estendido. Pode ser executado também para frente, sendo o inverso do flic-flac para trás.
"In Ginástica desportiva"

Os carpados, para trás, são os mais espectaculares. Existem para todos os gostos e desgostos, mais ou menos flectidos, mais elevados ou rasantes e têm sempre o condão de, sendo mal feitos, poderem voltar a ser executados.

Eles servem para manter as aparências na perfeição, tal como os alfinetes de peito da Casa Batalha, loja ao Chiado sempre recomendada pela Senhora Dona Amélia com um – "ninguém os faz como eles" – fingiam ser jóias, ou os pastelinhos da Marques regados com vinho branco servido às cinco da tarde em bule de chá, no tempo das sopeiras, para disfarçar os vícios das atletas, amásias e outras artistas que, quando calhava, esborrachavam as ventas nos paralelepípedos de regresso ao aconchego do lar.

Os flic-flac são pura arte e imprescindível técnica de persuasão. A partir da observação da maleabilidade dorsal com que são executados é possível apurar quem quer ser nomeado rei, súbdito, ou mero entertainer.

Há fragrâncias no ar que nos indicam estarmos a regressar ao tempo deles.
LNT
[0.344/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXCIX ]

Queijo de Serpa
Serpa - Alentejo - Portugal
LNT
[0.343/2010]

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Socorro! El lobo! Que viene el lobo!

LoboErase una vez un pequeño pastor que se pasaba la mayor parte de su tiempo cuidando sus ovejas y, como muchas veces se aburria mientras las veía pastar, pensaba cosas que hacer para divertirse.

Un día, decidió que sería buena idea divertirse a costa de la gente del pueblo que había por allí cerca. Se acercó y empezó a gritar:
- Socorro! El lobo! Que viene el lobo!

La gente del pueblo cogió lo que tenía a mano y corriendo fueron a auxiliar al pobre pastorcito que pedía auxilio, pero cuando llegaron, descubrieron que todo había sido una broma pesada del pastor. Y se enfadaron.

Cuando se habían ido, al pastor le hizo tanta gracia la broma que pensó en repetirla. Y cuando vió a la gente suficientemente lejos, volvió a gritar:
- Socorro! El lobo! Que viene el lobo!

Las gentes del pueblo, en volverlo a oír, empezó a correr otra vez pensando que esta vez si que se había presentado el lobo, y realmente les estaba pidiendo ayuda. Pero al llegar donde estaba el pastor, se lo encontraron por los suelos, riendo de ver como los aldeanos habían vuelto a auxiliarlo. Esta vez los aldeanos se enfadaron aún más, y se marcharon terriblemente enojados.

A la mañana siguiente, el pastor volvió a pastar con sus ovejas en el mismo campo. Aún reía cuando recordaba correr a los aldeanos. Pero no contó que, ese mismo día, si vió acercarse el lobo. El miedo le invadió el cuerpo y, al ver que se acercaba cada vez más, empezó a gritar:
- Socorro! El lobo! Que viene el lobo! Se va a comer todas mis ovejas! Auxilio!

Pero esta vez los aldeanos, habiendo aprendido la lección el día anterior, hicieron oídos sordos.

El pastorcillo vió como el lobo se abalanzaba sobre sus ovejas, y chilló cada vez más desesperado:
- Socorro! El lobo! El lobo! - pero los aldeanos continuaron sin hacer caso.

Es así, como el pastorcillo vió como el lobo se comía unas cuantas ovejas y se llevaba otras para la cena, sin poder hacer nada. Y se arrepintió en lo más profundo de la broma que hizo el día anterior.
Fonte
LNT
[0.343/2010]

Chuva de estrelas

Guerra das EstrelasAssim, à primeira vista, seria levado a concordar com o meu amigo Paulo Ferreira (não sei em que Blog agora escreve) quando ele cita Martin Niemöller:
Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei…

...Quando vieram e me levaram
já não havia ninguém para se ouvir...
O Paulo referia-se ao que se pode ver neste vídeo. Não se gosta do que se vê ali, embora aquilo que se vê nada tenha com os tempos em que estas acções à 31 eram reprimidas e, a fazerem-se (sim, sim, meninos, nós também fazíamos algumas quando tínhamos a vossa idade e não eram uns senhores guardas simpáticos que nos enquadravam), era impossível divulgar em liberdade, como faz o 31. Outros tempos, claro, tempos em que a democracia era o objectivo.

Mas depois vê-se o filme, percebe-se o que quer aquela malta engraçada, enquadra-se a acção num espaço onde estão todos os eleitos de uma Nação democrática, lembra-se que por detrás de uma máscara está sempre alguém, recorda-se que estes tempos não estão para brincadeiras e entende-se que ainda não foi naquele dia que "vieram e levaram o nosso vizinho" e que tudo aquilo não passou de uma encenação aportuguesada da ficção da Guerra das Estrelas, uma coisa de meninos-que–querem-ser-estrelas-sem-guerra, em que o arfar do Império personalizado na figura da máscara é uma brincadeira cheia de efeitos especiais.

Os senhores de óculos escuros fizeram aquilo que qualquer educador tem obrigação de fazer quando se depara com insubordinação e desrespeito juvenil.

Não será por aqui que passa o: "um dia nos levarão...".

Vivemos em liberdade, meu caro Paulo, estamos atentos e temos de garantir que a democracia e a liberdade têm de ser protegidas para o bem de todos nós que continuamos democratas, livres e tolerantes (a malta do filme incluida).
LNT
[0.342/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXCVIII ]

Laranja Mecânica
Clock Work Orange
LNT
[0.341/2010]

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

100

Bandeira de Portugal ao vento




Há lá coisa mais linda!

É ouvir e, sabendo a letra, cantar.




LNT
[0.340/2010]

Mãos

MãosConfesso-me cansado desta fona de esgravatar na tentativa de justificações e nada encontrar. Sobra-me desconfiança ao constatar que há tanta boa-vontade em Belém acerca de um Orçamento que ninguém conhece.

Se não passa pela cabeça do Presidente que o Orçamento do Estado não seja aprovado, ou ele o conhece melhor do que todos os outros a quem até agora só foram dadas umas dicas destinadas a mentalizá-los para a centrifugação, ou temos em Belém alguém que abdicou de toda a teoria esperada de um professor de economia, estilo que não se coaduna com a actuação passada.

Será isto o que se entende por cooperação estratégica? Cavaco já disse muitas vezes que entende que a função do PR passa por actuar fora do espaço público. Terá sido exercida a função? Terá havido actuação?

Não seria mais razoável que Belém se limitasse a promover o diálogo e a negociação para se atingir uma plataforma minimamente consensual, possivelmente algo mais inovador do que a receita do costume, do que a declarar a inevitabilidade de aceitar qualquer coisa? (e alguém acredita que ele aceite qualquer coisa?)

O que nos estará a escapar?
LNT
[0.339/2010]

Blogs falados, ao vivo e a cores

Embora prefira ler Blogs a ouvi-los, não deixa de ser interessante observar quatro Blogs sem ter de saltar pelo hipertexto.

Nunca tinha visto o programa, aliás é raro ver o que quer que seja na TVI24, mas confesso ter ficado agradado ao observar as cabeças que estão por detrás das letras que conheço.
(Em boa verdade já conhecia duas delas)

Fica o link para a página do YouTube onde estão os episódios anteriores.
LNT
[0.338/2010]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Contas por alto

A terra a quem a trabalhaImaginando que há setecentos mil trabalhadores na Administração Pública e que desses 30% ganham mais de 1.500 Euros temos 210 mil trabalhadores da AP que vão contribuir para que toda a AP tenha um decréscimo de encargos salariais de 5%.

Coisa fina.

Fazendo as contas por alto, considerando os anos em que os salários na AP estiveram congelados (coisa de que ninguém fala) e apesar do aumento de 2,9 do ano passado (coisa de que não há quem não fale), os tais 210 mil trabalhadores da AP irão ficar com salários semelhantes aos que tinham há 10 anos.

Nesses 10 anos essa gente assumiu compromissos mediante os vencimentos que tinha. Meteu-se a comprar casa, a educar os filhos, etc. e, como tinha as contas feitas, não se considerava na faixa do chamado “risco de crédito malparado”. Também os Belmiros e quejandos mantinham as prateleiras aptas para essa gente e o fisco que lhes paga com uma mão e que, com a outra, lhes arrecada parte, vai ter decréscimo na receita.

A espiral criada irá retirar o sorriso cretino da cara de quem agora pensa que isto é o mal dos outros. Esquecem-se que o problema reside no facto de Portugal ser um País de funcionários públicos.

Uns, porque têm esse estatuto de papel passado, como diriam os brasileiros, são os bodes-expiatórios, os outros que não o têm, mas cujas empresas vivem quase exclusivamente do erário público, julgam-se diferentes e afinal a diferença assenta só naquilo que os segundos empocham a mais do que os primeiros.

Costumo dizer que em Portugal os funcionários públicos são de primeira e de segunda. Uns picam o ponto e deles se diz serem o mal da nação, os outros estão isentos desta obrigação e repimpam-se à mesa do orçamento pendurados nas rubricas de "aquisição de serviços" ou de "serviços diversos".

Os primeiros calam-se e comem (pouco), os segundos enchem o bandulho, criticam os primeiros atirando-lhes à cara que são eles que lhes pagam os vencimentos, como se o vencimento de uns e outros não resultasse do pagamento do trabalho.
LNT
[0.336/2010]

Já fui feliz aqui [ DCCXCVI ]

Eléctrico Sintra
Sintra - Praia das Maçãs - Portugal
LNT
[0.335/2010]