terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Atracção fatal, €€€€€, vacinas, União Europeia e sopa fria

O pedido de casamento fez-se há uns meses na margem sul entre bólides a cheirarem a novo e acepipes engordurados de pasteis de bacalhau. A boda foi marcada ontem com juras de felicidade eterna e crocantes pastelinhos de Belém.



Todas as portuguesas e portugueses foram convidadas e convidados para a festança que terá por entrada um vibrante e picante gaspacho em substituição da habitual vichyssoise porque o tempo pandémico não está para nouvelles cuisines e os milhões europeus que se anunciam para o enlace estão destinados a uma noite de núpcias sem preliminares e em alta velocidade.

O repasto será servido no centro cultural do cavaquistão animado com a banda da presidência portuguesa europeia e terá por prato principal o xarope boticário anti-SarS-Cov2 servido em agulha fina, algodão de trufas e juice de proteína spike, regado com um albardado cirúrgico branco e azul, colheita reserva de 2020.

Terminada a cerimónia os nubentes partirão para a lua de mel de oito meses nos alicerces da barragem que fará o rio deixar de correr e hão-de saltitar de nenúfar em nenúfar na extensa albufeira a formar até que o guarda do caudal da quota máxima grite que chega.

As portuguesas e os portugueses irão embebecer-se com os afectos e ternuras demonstradas na praça pública e entusiasmar-se com as sensuais cenas onde serão exibidas mamocas por cada pica dada.

No divórcio litigioso que se seguirá Outono dentro todos os convivas rejubilarão com as revelações das diatribes e traições às juras de amor e confirmarão que todas as fábulas findam com a frase:

E viveram felizes para sempre até que uma facada nas costas os separou.


LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.009/2020]

sábado, 5 de dezembro de 2020

Está-lhe na massa do sangue



O taxista que há dentro de si

(Nota prévia: Este texto não é sobre Sá Carneiro, por quem nutro especial admiração pela sua coragem e valentia quando, na Assembleia Nacional, foi deputado da Acção Nacional Popular e fez frente a Marcello Caetano. Também não é sobre uma falha de motor à descolagem acabada em tragédia). 

Ontem no Expresso da Meia-noite, Marcelo, o Presidente da República (o depoimento foi feito a partir do Palácio de Belém) deixou que sobre ele pousasse a língua de fogo taxista e borrifou o fogo com gasolina velha de 40 anos no intuito de manter a chama acesa. 

Sobre o despenhamento de Camarate: 

“Formei uma convicção, como cidadão, que mantenho, de que não se tratou de um acidente, mas sim de um atentado…”

Ontem, Celinho, taxista pré-candidato que usa os meios disponibilizados pelo cargo de Presidente da República para poder fazer campanha fingindo não a fazer, voltou abjectamente ao método de criador de factos políticos em que é mestre. 

Não foi inocente, como aliás nunca o foi durante toda a sua vida pública e confirmou a convicção de Paulo Portas: 

"Deus deu-lhe a inteligência e o Diabo deu-lhe a maldade." 

Sá Carneiro, a caminho de uma derrota presidencial obtida há 40 anos apesar dos que imoralmente usaram a sua morte para fazerem da consternação nacional o maior acto de propaganda política alguma vez produzida em Portugal, tinha o slogan:

“Um Governo, uma maioria, um Presidente”

Marcelo mantém essa esperança para o seu segundo mandato embora invertendo a ordem. 
Conseguindo afastar Rui Rio, está na sua mente:

“Um Presidente, uma maioria, um Governo”.

Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro queria em Belém um António da Silva Osório Soares Carneiro para dele fazer um Américo de Deus Rodrigues Thomaz. 

Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa ambiciona ter em São Bento alguém a quem quererá transformar num Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.008/2020]

sábado, 7 de novembro de 2020

Presidenciais (portuguesas para variar)



Sou proponente de Ana Gomes
Não por ser um mal menor, não por falta de alternativa, mas por convicção. 

Propus Ana Gomes, espero que ela passe de pré-candidata a candidata assim que consiga as proposituras necessárias e o Tribunal Constitucional a admita como tal e serei seu eleitor caso esteja vivo e de boa saúde. 

Acredito que Ana Gomes dará uso à sua vasta experiência diplomática para, a partir de Belém, colocar Portugal num patamar internacional relevante. 

Acredito que Ana Gomes acrescentará valor à Presidência portuguesa da Conselho Europeu usando toda a influência e prestígio granjeado com os seus corajosos mandatos de deputada europeia. 

Acredito que Ana Gomes, passando do seu actual estatuto de comentadora para o de Presidente de todos os portugueses, será uma referência na consolidação da nossa democracia e no progresso do desenvolvimento social com base nos princípios constitucionais que salvaguardam os direitos dos cidadãos. 

Estou convicto que Ana Gomes será um obstáculo à corrupção que se esconde na democracia para dissimular a cleptocracia que tem desviado parte da contribuição de todos para usufruto de alguns. 

Ana Gomes saberá articular com a Justiça as formas de travar este mal respeitando, evidentemente, o que a Constituição da República Portuguesa determina sobre a separação de poderes. 

Na boa tradição do Partido Socialista seguida desde o início da democracia até às últimas eleições presidenciais o PS não apresentará um candidato, o que é correcto. 
Mas estranho que, tal como inovou nas últimas presidenciais, não apoie oficialmente numa primeira volta um candidato da sua família política. Uma inovação que me desgosta e com a qual não tenho qualquer afinidade. 

Tenho como certo que Ana Gomes terá nesta disputa adversários com garra, uns resultantes de ideologia diferente, outros de estilo diverso, outros de programa ou agenda diferente, mas só terá como inimigos os que se vierem a apresentar a votos na democracia com a finalidade de a exterminar. 

Acredito que a haver uma segunda volta tudo ficará em aberto para podermos eleger a primeira mulher portuguesa como Presidente da República.
LNT
#BarbeariaSrLuis #ANAGOMES2021 #ANAGOMES #AnaGomes
[0.007/2020]

sábado, 19 de setembro de 2020

Isto não é o “novo normal” insanamente designado como tal por quem nos quer incutir que o é

Sei não ser o caso típico do drama/tragédia que vejo, oiço e leio por aí quando se fala do confinamento que vivemos. Estou aposentado, a minha mulher reparte-se entre o teletrabalho e o trabalho em espelho, não sou um tendencialmente deprimido solitário – aliás não me dou mal com o convívio reduzido nem com a falta de toque excessivo – e, por razões que pouco interessam para o caso, convivi permanentemente o confinamento com a minha mulher, uma das minhas filhas e duas das minhas netas.

Também é verdade que o confinamento não me foi especialmente doloroso por questões financeiras porque os rendimentos se mantiveram constantes e as despesas, embora na generalidade aumentadas por diversas razões que também pouco interessam para o caso, só foram drasticamente agravadas nas rubricas de hardware informático, comunicações, electricidade e água. Este parágrafo é indiferente para o texto e só ficou para o contextualizar

Faz-me muita confusão o drama/tragédia que vou lendo por aí resultante do confinamento como sendo coisa capaz de levar à demência por falta de beijos e abraços, carinhos, toques, conversas da treta e bisbilhotices como se, dois ou três meses sem isso, fosse o fim do Mundo. 

Muito mais grave do que isso foi o não confinamento cuidadoso e responsável de quem nunca passou por preparação para guerras ou nunca teve de anteriormente abdicar de regabofes e não se absteve no confinamento do seu trono narciso e provocou com isso o fim do Mundo para outros ou lhes causou consequências e mazelas para a vida. 

Nunca faltou água, electricidade, bens alimentares, comunicações, informação, bens “on-Line”, serviços de entregas de todo o tipo, nem politiquices e fofocas que não fossem capazes de nos manter ocupados e entretidos através de cliques, mensengers, tweets, sms, whatsapps (muitas vezes até em demasia e alheados da realidade de haver nos bastidores quem não tivesse tempo para dramas/tragédias para assegurar esses serviços em sobrecarga). 

Nunca faltou pó para limpar, camas para fazer, loiça e roupa para lavar, coisas sempre pendentes para consertar, redes sociais para irritar e ser irritado, mortes para lamentar, nascimentos para comemorar, anos para fazer, livros para ler, escritos para escrever, contas e impostos para pagar e afectos e carinhos para desenvolver. 

Não foi um estado calamitoso de angústia com balas a soprarem-nos ao ouvido e bombas a explodir, nem uma altura de guerras nas cidades ou nas estradas que são muito mais incapacitantes no chamado normal a que voltaremos daqui a pouco, mais mês, menos mês, mais ano, menos ano, para continuarmos o caminho da destruição do Planeta. 

E isto que vivemos não é o “novo normal” insanamente designado como tal por quem nos quer incutir que o é. 

Isto é o actual anormal que há-de ser ultrapassado para voltarmos ao normal que se espera mais consciente, mais reflectido, menos consumidor de recursos e mais eficaz na redução de desperdícios. Isto que vivemos não é normal, nem novo nem velho normal, como normal não foi termos de perder os beijos, afectos e selfies de Marcelo. 

Apeteceu-me isto, o desabafo, porque a minha liberdade continua intacta e a minha interactividade, quando a quero praticar, também.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.006/2020]

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Rever a matéria dada e contextualizar velhacarias

O gajo aprece nas imagens de costas o que quer dizer que foi um cobardolas qualquer que o apanhou à traição.

Não sou jurista e por isso não citarei o Código penal nem o seu art.º 199 , que não conheço, nem quero conhecer, mas dos filmes de cowboys que via em miúdo ficou-me a vaga ideia que um tredo que atingisse alguém pelas costas acabava pendurado pelo pescoço num chaparro americano.

Adelante, como diriam as FARCs!

A transcrição textual dos sete segundos da javardice filmada à traição e amplamente divulgada pela extrema-direita parlamentar é a seguinte, para que não restem dúvidas:

é que o presidente da ARS mandou para lá os médicos fazer o que lhes competia e os gajos, cobardes, não o fizeram

Leram bem? Querem explicador ou o vosso bom senso e a vossa capacidade de discernimento é suficiente para entenderem que o homem não chamou cobardes a todos os médicos, como querem fazer crer, mas só àqueles que a ARS mandou para lá e que se baldaram a cumprir ordens superiores e juramentos de classe, deixando ao Deus dará a “omissão de auxílio” que, tal como anteriormente já disse, por não ser jurista, não citarei embora tenha uma vaga ideia que está contemplado no art.º 200 do CP.

Primeira nota de rodapé: Usar o sofrimento de 18 famílias para politicar é no mínimo deplorável, nojento e abjecto.

Segunda nota de rodapé (mais importante e que retira muito ao que digo no primeiro parágrafo): Este texto é uma reprodução do que publiquei no Facebook. Lá, o meu leitor João Pedro Henriques dá a seguinte explicação: "Estas imagens foram filmadas pelo cameraman do Expresso, autorizadamente. Serviriam de planos de cortes - mas foram feitas com captação de som (1º erro). Depois o Expresso enviou-as para a RTP e SIC, para estas montarem peças sobre a entrevista do Expresso ao PM. E foram enviadas com som (2º erro). Algures no processo - no Expresso, na RTP ou na SIC - as imagens estavam a passar num computador e alguém as filmou com um telemóvel. E vieram parar cá fora."

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.005/2020]

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Duas afirmações, muitas questões e uma constatação


O bicho é invisível, mas não é inexistente.

As pessoas são os hospedeiros, os meios de contaminação por excelência e os disseminadores.

Os óbitos são proporcionais às vagas nos cuidados intensivos? Os cuidados intensivos são isso mesmo ou, à falta de mezinhas para o combate à peçonha, são paliativos?

O número de mortes fora do contexto Covid-19 é um segredo de Estado ou é o estado de coma em que nos querem induzir?

As estatísticas e os achatamentos são a desumanização dos sentires e afectos nesta multidão de bolhas herméticas domissanitárias em que nos confinámos?

Os predadores deixaram de se alimentar? os enganadores deixaram de enganar? os manipuladores deixaram de manipular? os bandidos deixaram de abandidar, os egoístas deixaram de se ego-centrar, os malditos deixaram de pichar, a inteligência e o entendimento passaram a ser só armas na retórica?

Evocar as mesmas realidades sem considerar o tempo decorrido e sujeitar-nos à colagem de imagens com frases ditas ontem e hoje como se a Terra não tivesse executado a rotação e a translação tivesse sido suspensa é um propósito manipresto dos comunicadores ou só uma inanidade?

O extermínio do cancro da pirâmide invertida e dos indigentes irá salvar o segurança social e a saúde pública?

A robótica, a inteligência artificial, o confinamento do teletrabalho, o ensino à distância, a deslocalização e a consequente transição para a dependência de monopólios e ditaduras que abocanham as prioridades de distribuição e nos fazem dependentes de tudo o que abominamos, incluindo a má qualidade, o silêncio, a escravatura laboral, o trabalho infantil, o uso intensivo de trabalho sem direitos dos cidadãos nem livro de reclamações, são a lavagem da nossa consciência?

Tudo vai voltar ao que era, ou acabou uma era e tudo se vai revoltear?

No entanto, constato que a casinha de pássaros que tenho na varanda fez-se maternidade e o frenesim dos pais não pára para satisfazer os bicos que se abrem lá dentro.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.004/2020]

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Dois dedos de conversa


O texto anterior que aqui publiquei com um teste de link ao Blog de Helena AraújoDois Dedos de Conversa”, deixei a promessa de explicar a razão de ser.

Aqui fica.

Vi em publicações do Facebook que aquela plataforma barrava qualquer link que se fizesse para o “Dois Dedos de Conversa” alegando que: “Não foi possível partilhar o teu comentário porque esta ligação desrespeita os nossos Padrões da Comunidade”.

Um absurdo dado tratar-se de um dos mais antigos Blogs em Portugal onde a Helena publica quase todos os dias e nunca se lá viu o que quer que seja de desrespeitoso.

A Helena explica em alguns dos seus comentários no FB que dever tratar-se de uma das muitas denúncias feitas frequentemente no Facebook com o intuito de calar vozes atentas ao que se passa no Mundo e, concordando com ela, nunca deixo de me lembrar que o FB é um negócio, tem donos e sócios, ganha milhões com os nossos conteúdos e dados pessoais e serve a quem tem de servir.

É um instrumento útil à comunidade mas esta tem de ter consciência que se trata de uma ferramenta controlada por outros e que nos pode manipular consoante os seus interesses.

Quis fazer o teste do link aqui no Blogger para ver se o “barramento” ao “Dois Dedos de Conversa” era universal e constato que não, não é universal.

O Blogger deixa linkar o Blog da Helena Araújo. Somos muito mais livres aqui, onde pudemos expressar a que nos vai na alma, sem os constrangimentos censórios e abusivos que nos vão impondo noutras redes sociais.

Aproveitando, deixo um link para o vídeo da jornalista Carole Cadwalladr publicado no TED.com (TED is a nonpartisan nonprofit devoted to spreading ideas, usually in the form of short, powerful talks. TED began in 1984 as a conference where Technology, Entertainment and Design converged, and today covers almost all topics — from science to business to global issues — in more than 110 languages. Meanwhile, independently run TEDx events help share ideas in communities around the world)

Dura aproximadamente 13 minutos mas aconselho a que percam (ganhem) esse tempo para perceber muito do invisível que nos cerca a liberdade.

Nota: Tentei publicar directamente o vídeo mas não foi possível dado que ter mais de 100 MB. Está linkado lá em cima e é visível em:
https://www.ted.com/talks/carole_cadwalladr_facebook_s_role_in_brexit_and_the_threat_to_democracy (basta clicar)

Abraço grande para a Helena e para todos vós.

Tentarei fazer o link no FaceBook para este post. Espero não entrar também na lista negra dos padrões da Comunidade Facebokiana.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.003/2020]

Teste das cerejas


Isto é um teste, que depois explicarei, para ver ser o link ao 2 Dedos de Conversa da Helena Araújo vai mesmo dar ao Blog pretendido.
http://conversa2.blogspot.com/

ET. Confirma-se que sim. Vai mesmo abrir o link pretendido.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.002/2020]

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Bom 2020


Aos meus parcos leitores das parcas escritas que por aqui vou fazendo desejo o melhor para 2020.

Sei que não há muito para festejar em cada meia-noite de cada 31 de Dezembro porque, com mais ou menos fogo de artifício pago com os nossos impostos, só o Estado lucra com estas datas em que os impostos crescem e os produtos também na razão inversa dos ordenados e pensões, mas ficará sempre a esperança de um ano melhor com paz e saúde da boa.

Se mais não puderem, divirtam-se e gozem o facto de ainda estarem vivos
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.001/2020]

terça-feira, 19 de novembro de 2019

A nossa dimensão não é a vida, nem é a morte



Foi por estar a ouvir esta música que levei a minha primeira cacetada da PIDE.

Outros tempos, dirão. Pois foram, mas embora alguns se façam de esquecidos (ou sejam só ignorantes) e acreditem ou não, já foi proibido ouvir o LP "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" de José Mário Branco.

Nunca o conheci JMB pessoalmente mas cedo comecei a ouvi-lo entre amigos. Servia-nos de inspiração.

Descansa meu caro José Mário Branco e se por aí encontrares a Natália dá-lhe um abraço meu.

"Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte"

Poema de Natália Correia (1957)
Álbum de José Mário Branco "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades" (1971)

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.036/2019]

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

101 Anos


In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.035/2019]

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

O País chave da revolução tecnológica




Portugal, o País chave da revolução tecnológica na realidade virtual, assim transformado em 2019 pela voz no mais alto magistrado da Nação, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, ex-candidato taxista derrotado à edilidade Lisboeta, cabeleireiro nas horas vagas, selfie made man, nadador do Tejo e de outras coisas boas e más, entertainment e ex-comentador político nas pantalhas, homem de bem e do menos bom, viciado em vichyssoise, hipocondríaco-cateterismozado, esperto que nem um alho, professor de direito e de outras coisas.

Portugal, País chave da revolução tecnológica e da dos afectos, afectado.

Portugal, País chave da revolução tecnológica onde anónimos sem-abrigo são heróis na descoberta de recém-nascidos em contentores do lixo - em boa hora salvos e de boa saúde – na realidade virtual das horas da chave, abraçados e beijados e provavelmente nomeados para futuros comendadores, com a promessa de que a revolução tecnológica – e a outra – se venham a cumprir.

Por um canudo e com óculos de realidade virtual.

Oremos, Senhor!
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.034/2019]

Albert Camus – 7 de Novembro de 1913

(...)

“Ao mesmo tempo, após haver ressaltado a nobreza do ofício de escrever, eu teria de devolver o escritor à sua verdadeira posição, não tendo outros títulos senão estes que ele compartilha com seus companheiros de luta:

Vulnerável mas obstinado, injusto e apaixonado pela justiça, edificando a sua obra sem vergonha ou orgulho à vista de todos, sem deixar de se dividir entre a dor e a beleza, e dedicado enfim a extrair de seu ser duplo as criações que ele tenta construir obstinadamente no movimento destrutivo da história.

Dito isso, quem poderia esperar dele soluções acabadas e beleza moral?

A verdade é misteriosa, fugidia, está sempre a ser conquistada.

A liberdade é perigosa, tão dura de desfrutar quanto estimulante.

Devemos caminhar em direcção a esses dois objectivos, dolorosamente, mas decididamente, cientes, de antemão, de nossas falhas em tão longo percurso.”

(...)

Albert Camus
à Academia Sueca em Estocolmo, no dia 10 de Dezembro de 1957

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.033/2019]

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A dois dias dos Fiéis Defuntos e a um do de Todos-os-Santos


À falta de Moções de Rejeição dos seis Grupos Parlamentares da Oposição e de uma Moção de Confiança do Governo Minoritário, temos Programa. (os três deputados únicos jogam a bolinha baixa nesta matéria)

Comparado com o frenesim de há 4 anos isto foi um marasmo (não confundir com pântano porque o nosso PM já disse que o pântano secou):

- O Presidente da Assembleia da República foi candidato único;

- Os Partidos quedaram-se em sossego perante o novo topete do nosso Primeiro sem que houvesse um só que o pretendesse despentear; e

- O Presidente da República avançou para um cateterismo tranquilo (felizmente bem sucedido) em vésperas do Dia do pão-por-Deus ao contrário do outro, que por ser personagem típica do Halloween, teve de dar posse a 2 Primeiro-ministros em meia dúzia de dias.

Um País tranquilo a dois dias dos Fiéis Defuntos e a um do de Todos-os-Santos.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.032/2019]

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Sem imagem

Como dizia um subdirector-geral que em tempos tive: “sempre que queira que alguém leia uma coisa importante nunca a expresse em mais do que um A4”.

Lição aprendida. Vivemos num País onde ler mais que um A4 é coisa para intelectuais, ou equivalentes, e a partir daí passei a fazer relatórios, pareceres, informações, projectos, etc. que me demoravam vários dias a construir e depois fazia, para os capear, um A4 resumo que quase sempre me obrigava a mais trabalho do que os documentos capeados.

Mais tarde passei a capear o A4 com um gráfico-boneco, o que ainda se demonstrou mais eficiente.

Como não entendiam o gráfico, liam o A4 e, por não o entenderem, acabavam por ler o trabalho.

Nem sempre foi útil, confesso, porque a meio do trabalho já andavam a ler os outros A4 que tinham em cima da mesa aconselhados pelo tal Subdirector-Geral, mas vamos em frente que ainda não cheguei ao tamanho A4 deste escrito e ainda há muitos caracteres para chegar ao que interessa.

Mais tarde vieram as redes sociais e o Twitter que rebentou de vez com a teoria do A4. Mais que meia dúzia de gatafunhos e um ou dois links (que a maioria não segue porque dá mais trabalho do que ler um A4) é uma enormidade.

Ainda aí está? A ler ou a dormir?

Acabada a provocação, passo ao que interessa.

O que hoje tem impacto, nesta era em que escrever um A10 é já de imensa soberba, é uma imagem (por alguma razão dizem valer por mil palavras) e dou dois exemplos simples em forma de questões para quem ainda não desistiu de ler:

O que é realmente impactante?

1 - Um calhamaço com um Programa de Governo ou uma imagem de dois autocarros movidos a gás para transportar uns setenta empossados?

2 - Uma eleita que não gagueja enquanto pensa e por isso tem muitos A4 para escrever ou um assalariado espampanante pago pelo Orçamento do Estado para a assessorar na concretização desses A4?

Pelos montes de A4, A5, A6, A7, A8, A9 e A10 que li nos últimos dias é sempre a imagem que prevalece, pouco importando se os setenta empossados vão usar no dia-a-dia um topo de gama poluente para se deslocarem ou se a eleita consiga, ou não, cumprir o seu mandato contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

A imagem parece prevalecer sobre o ser. Os estragos que se pouparam por não haver uma imagem de setenta bólides estacionados em frente do Palácio da Ajuda ou a entrada discreta de uma deputada pela porta grande da Assembleia da República enquanto o assalariado entrava pela porta dos funcionários.

Não quero abusar da vossa paciência só para provar que até um A4 já é esforço demais.

Se escrevesse mais uma linha iria estar a confirmar que o meu leitor(a) era um intelectual, ou equivalente.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.031/2019]

sábado, 26 de outubro de 2019

Patetices


Os apressados que nunca têm pressa de estudar antes de se pronunciarem publicamente dizendo as habituais baboseiras ignaras, deveriam saber que a Assembleia da República tem um Regimento no qual está determinado o seu modo de funcionamento.

Basta ler para saber a diferença entre um grupo parlamentar e um deputado único ou um deputado não inscrito em grupo parlamentar.

Entre outros poderão consultar o art.º 71.

Deixo o link para se esclarecerem.

Isto interessa pouco, sei, porque o que realmente interessa é comentar a vestimenta com que um patetóide qualquer (que é um assalariado - nem sequer é um eleito) resolveu usar para provocar os 15 minutos de atenção nacional a que tem direito nesta nova-sociedade que entende que quem não tiver os focos a si apontados, não existe.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.030/2019]

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Hoje é um dia de festa que me faz sentir feliz

Diz-me, quem ainda se lembra, que em 1973 (há 46 anos, não passou tanto tempo como isso) a Acção Nacional Popular elegeu, com menos de um milhão e meio de votos, os 150 deputados que constituíram a última Assembleia Nacional.

A CDE havia desistido deste sufrágio por não reconhecer condições para eleições livres (neste aspecto não me precisam de mo dizer porque fui testemunha).

A Posse deu-se a 15 de Novembro.

Este ano, hoje, são poucos mais deputados (+ 80) que tomaram posse.

A Assembleia da República tem lá representadas dez forças políticas com sete Grupos Parlamentares.

Foram sufragados em eleições livres (quase cinco milhões de votos válidos) e os abstencionistas de agora são-no porque o querem ser e não por estarem impedidos de eleger.

Hoje é um dia de festa que me faz sentir feliz e faz-me muita confusão que seja o acessório que faz notícia deixando o essencial para o esquecimento.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.029/2019]

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Miren como sonríen

Miren cómo se viste / cabo y sargento / para teñir de rojo / los pavimentos

Recordando Machuca.

Milicos Culiaos, Váyanse a los cuarteles!
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.028/2019]

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Deixar andar como no Chile


O Chile é um bom exemplo do que resulta do "deixa andar" enquanto o que for importante forem as portas do Parlamento, as tricas sobre o que é a direita, o centro-direita, o centro-esquerda, a esquerda e a União das esquerda(s) (coisa inexistente desde sempre e impossível porque a esquerda-urbana tenta ocupar o espaço da esquerda-tradicional e estas duas chamam direita a uma esquerda-social-democrata).

É o "deixa andar" das quezílias enquanto os salários são muito abaixo do nível de vida, as rendas são muito acima dos salários, a saúde é muito menor que o tempo de espera para a voltar a ter, a justiça é inviável para os justos, os idosos são mais que as crianças e mesmo assim as creches não chegam, nem os lares, e a cultura de um povo se confunde com arte que esse povo não entende porque não tem cultura para a entender.

O Chile é a miséria do "deixa andar" que prefere o prestígio internacional, as guerras e os conflitos dos outros, as cimeiras nacionais, internacionais, continentais, intercontinentais, as selfies, as vaidades e invejas, o poder de ser poder e não o exercer para melhorar a vida e dar-lhe qualidade dos que delegam o poder no poder.

O Chile não é na Europa, mas podia ser.
O clima do Chile é semelhante ao nosso só que no hemisfério Sul. Basta ir ao supermercado para ver que as frutas são iguais, só variam na época do ano.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.027/2019]

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Memórias de coisas antigas [ III ]

1ª Fila: Almerindo Marques, Jaime Ramos, Tito de Morais, Felipe González, ?, Carlos Coelho e Fernando Condesso
2ª Fila: ?Adjunta de Felipe González, José Magalhães, ?, ?, Mimi, Luís Novaes Tito
3ª Fila: Helena Cidade Moura, ?, ?, ?Protocolo Espanhol, ?Adjunto das Cortes
4ª Fila: Paulo Barral, ?, Embaixador Sá Machado
Já que ando nisto de recuerdos españoles, enquanto não se calam com a Catalunya e a propósito de um reencontro que acabei de fazer no Facebook (Paulo Barral), dei mais um mergulho no baú e encontrei esta foto com Felipe González, na Moncloa.

Muitos ainda estão vivos, felizmente.

Tratou-se de uma visita que uma delegação portuguesa da Assembleia da República fez às Cortes Espanholas no âmbito da nossa (então) futura Adesão à CEE.

O Presidente da Assembleia da República era Manuel Tito de Morais.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.026/2019]

domingo, 20 de outubro de 2019

Memórias de coisas antigas [ II ]


Em Agosto de 1973, primavera marcelista, ao amparo do toldo da maralha na praia do Dragão Vermelho da Costa de Caparica (onde ainda não havia paredão nem pontões), espreguiçavam-se meninos maus de boas famílias e meninas boas de famílias más a ressacar a noitada do dia anterior. Entre outros, o Delmiro Andion e eu próprio.

Os altifalantes debitavam para o areal os apelos da cabine de som: “encontrou-se uma carteira que se entrega a quem comprovar pertencer-lhe” ou: “está aqui um menino perdido, de nome Marcelo, que será entregue aos pais devidamente documentados”, entrecortados com publicidade ao “OMO, lava mais branco”, com o hino da FNAT “Angola é Nossa” e interrompidos, às 15:00 horas, pela radionovela “Simplesmente Maria” que fazia a praia ficar em suspenso e nos proporcionava silêncio para uma sesta reparadora.

O toldo ao lado era o dos marrões que não tinham conseguido o 14 e que levavam para a praia os calhamaços para o Exame de Aptidão à Universidade e eram vigiados nos estudos por um encarregado de educação escondido atrás de “o Século” que deixava na cadeira de praia quando ia, com os seus marrões, almoçar a casa.
Quando me dava na bolha aproveitava a ausência e folheava o jornal.

Tanto o Delmiro como eu tínhamos ido às sortes na Avenida de Berna e as inspecções declararam-nos apurados “para todo o serviço”. Andávamos naquela vontade de continuar os estudos para depois, quando já estivéssemos fartos de os não ter deixado para antes.

Os adiamentos ao feijão-verde estavam postos de lado.

Nesse dia chamou-me a atenção um anúncio da FAP impresso na última página do matutino.
Já tinha dois irmãos na guerra em Moçambique, ambos pilotos – um de T6 e o outro de Alouette III - , achava que o hino que soava nos altifalantes era irritante e estúpido porque Angola não era nossa mas sim deles, dos que eram de lá oriundos e, quando muito, também dos outros que para lá foram.

Não me apetecia pegar numa canhota para andar no mato dos outros à espera que uma mina me mandasse pelos ares.

E, ares por ares, antes os ares por fora de um avião. Abanei o Delmiro, mostrei-lhe o anúncio e dois minutos depois estava decidido passar pela Andrade Corvo (e não Corco, como dizia no anúncio – até nisso a tropa era tropa) para ver o que dava.

E deu.

Exames físicos e psicotécnicos feitos, abalámos para a Granja do Marquês onde aprendemos a voar.

Curiosamente, não tenho qualquer foto dos dois fardados a não ser uma de conjunto na recruta depois de uma carecada e, curiosamente também, dali seguimos caminhos diferentes.


Eu, o da Ilha da Morte Lenta, entretanto morrida, e ele o de Tancos, onde quase meio século depois andaram a fanar uns mamarrachos que sobraram dessa época e que tem servido para a politiquice em 2019.

Também publicado no Penduras

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.025/2019]

sábado, 19 de outubro de 2019

Memórias de coisas antigas [ I ]


Um dia soube que o "a República" estava a contratar gente.

Fui ter com o Raúl Rêgo e ele perguntou-me:
Então, Tito, o que é que sabes fazer?

Respondi-lhe: Tenho o sétimo ano...

O venerável mestre já não me deixou continuar:
Não te perguntei o que é que tinhas, perguntei o que é que sabias. (ler com pronúncia do norte, por favor)

Nesse dia perdi uma brilhante carreira como jornalista.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.024/2019]

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Alas


Aqui vai uma intimidade sobre alas.

Não minhas, porque sempre andei no Partido que ajudei a singrar e nunca as vi (às alas). Antes vi gente livre, a pensar pela sua cabeça, a dizer o que entendia sem submissão. A assim não ser, não me reconheceria no Partido Socialista. É evidente que também lá vi carneirada mansa, como há em todos os Partidos, que sempre preferiu o silêncio à opinião livre, a carreira à verdade, o comodismo do seguidismo à frontalidade e o golpismo à lealdade.

Não são a maioria, pelo menos não a maioria daqueles com quem me relacionei.

Feita a introdução passo à tal intimidade em tópicos curtos no calão socialista que não interessará a quem quer que seja mas que me apetece deixar neste meu espaço. Se para mais nada servir, servirá para desmistificar as bojardas que todos os dias se ouvem sobre militantes dos Partidos políticos querendo fazer deles párias acéfalos sem eira nem beira.

Sei que alguns me julgarão incoerente. Pouco importa. Sempre fui coerente comigo próprio, coisa que nunca trocarei pelo juízo de coerência de quem me queira julgar.

Um último reparo: A minha referência máxima no PS sempre foi Manuel Tito de Morais.

Aqui vai: Soarista convicto de primeira hora. Simpatizante dos auto-gestionários que se reuniam em Benfica. Simpatizante do ex-secretariado quando o MES se fez PS. Zangado com a aliança PS/CDS de Freitas do Amaral. Realinhado Soarista com reservas na aliança PS/PPD de Mota Pinto. Sampaista fundamentalista (nas palavras de António Costa quando Guterres desafiou Sampaio). MASP. Guterrista quando foi preciso. MASP. Sampaista. Alegrista. Ferrista acérrimo principalmente quando o Socretismo atacou. Segurista.

Sempre republicano, não-praticante, reformista e socialista democrático.

Em termos presidenciais: Eanista, Soarista, Sampaista, Alegrista, Nobre-da-Costista.

O resto fica por dizer e não penso escrever memórias.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.023/2019]

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Manuel Amado


Acabei de ouvir o pivot de um qualquer noticiário dizer que morreu Manuel Amado.

É impossível, está aqui à minha frente, por cima da lareira e nos catálogos de todas as exposições que tenho na mesa de apoio aos sofás.

Pode ter deixado de desenhar e de pintar mas não morreu.

Vai continuar ali até que eu parta também e quero acreditar que há-de continuar a rasgar, mesmo noutra casa, uma janela para o mar tão real e sereno que é possível sentir-lhe a brisa.

A imortalidade é possível.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.022/2019]

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Aqui ao lado


Se me faz confusão que haja presos políticos onde quer que seja, mais me faz se eles forem decretados em democracias.

Embora não tenha a certeza de que ser secessionista (e não estou a falar de ideias, mas sim de actos e incitações) seja considerado, na sua essência, como uma divergência política passível de caracterizar a pena judicial como “prisão política”, - e assim evito confrontar-me com um duplo critério quando, em tempos, me referi às FLAMA e FLA, apesar das diferenças históricas, sociais e etnográficos dessas duas realidades e desta em apreço - desgosta-me profundamente que, no reino vizinho, o Monarca nada venha a fazer para indultar a pena na primeira oportunidade.

Wishful thinking” meu, como é evidente, até porque não asseguro que la Constitucion de España preveja tal situação.

Estou de acordo, com uma excepção, com o texto que Seixas da Costa publicou no Facebook, onde se lê:
CATALUNHA
Sinto ter muito pouco a dizer, a propósito da decisão dos tribunais espanhóis sobre os secessionistas da Catalunha. A decisão não me surpreendeu, à luz das leis espanholas, que são as relevantes na matéria. Um gesto de atenuação da pena por parte do rei, que se mostrou muito inábil no início deste processo, seria, contudo, bem vindo, para provocar alguma acalmia nas tensões. Oficialmente, por parte de Portugal, só espero uma atitude: contenção no discurso e respeito absoluto pela unidade espanhola. O nosso único interlocutor peninsular é Madrid. Ponto. Espero, aliás, que as pessoas tenham sentido da medida nas suas reações, preocupando-se talvez um pouco mais com o drama curdo, onde morre gente “como tordos” a toda a hora, em face da inércia palavrosa da Europa. (...)”
A exepção que referi no parágrafo anterior é a que, e sem respeito pelo acordo ortográfico como sempre faço, refere: “que as pessoas tenham sentido da medida nas suas reações” porque o sentido da medida nas reacções das pessoas não tem de ser o mesmo que é utilizado no discurso de Estado e “as pessoas”, se no texto pretende significar “os cidadãos”, têm total liberdade de expressão e estão isentas da diplomacia que um Embaixador deve manter.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.021/2019]

domingo, 13 de outubro de 2019

How dare you! Shame on you (us)

Reuters - Turquia, Síria, Curdos
É tão vergonhoso andarem a exterminar um povo às portas da Europa e os europeus fingirem não saber de nada.

A desumanidade nunca atingiu um patamar tão estúpido como este. No século passado ainda fingiu que não tinha conhecimento. Neste nem isso pode evocar.

Andam as Gretas a encher páginas de jornais a anunciar o fim do Mundo para daqui a uns anos e o Mundo estar a acabar, neste preciso momento, para tantos abandonados que tudo deram ao Mundo para que ele não terminasse na mão de uns selvagens radicais.

A ONU a dormir. Os democratas mundiais a assobiar para o lado. Os radicais a praticarem xenofobia disfarçada de defesa dos direitos humanos enquanto milhares de seres humanos são chacinados impunemente.

How dare you!

Shame on you (us)!
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.020/2019]

sábado, 12 de outubro de 2019

Selfies


Em todos os dicionários que consultei nunca encontrei que "cateterismo" significa "campanha eleitoral".

Verdade é que "novilíngua" só existe no dicionário orwelliano e, embora "orwelliano" também não exista nos dicionários, existe no nosso pensamento.

Todos os espertos são iguais, mas uns são mais iguais do que outros.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.019/2019]

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Da manipulação

Romualda Fernandes e José Leitão
Um bocadinho farto de toda esta publicidade embrulhada em preconceito que nos tenta estupidificar.

Não me julgo racista, xenófobo, radical, nem machista.

Não votei no LIVRE porque me revejo ideologicamente noutro Partido. (Ponto final)

Aproveito para dizer que, no Partido onde votei, tive a honra de ajudar a eleger, entre outros, uma mulher admirável de quem sou amigo e com quem já tive o privilégio de trabalhar, de debater e de "politicar", uma pessoa em tudo igual a mim (não racista, não xenófoba, nem radical) e muito mais competente do que eu nessas matérias de igualdade como tive oportunidade de constatar quando ambos fizemos parte da equipa do José Leitão na altura em que ele foi Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas.

Chama-se Romualda Nunes Fernandes, é portuguesa e guineense (penso), não tem problemas de fala que a tornem mais ou menos notável do que qualquer outro ser humano e não se presta a fazer de bandeira da discriminação, antes pelo contrário, sempre lutou contra ela num percurso de vida que lhe custou atribulações pessoais (dela e da sua família) só possíveis de superar pela sua valentia e determinação.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.018/2019]

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A confusão que por aí vai


Uns falam de indigitação sem perceberem o significado da palavra, outros falam de acordos referindo-se a Orçamentos de Estado.

Os primeiros parecem não saber que é preciso estar indigitado para se poder negociar, seja com as outras forças políticas, seja para construir o elenco governativo a propor ao PR para nomeação, seja ainda para evitar o vazio de poder.

A indigitação não se pode confundir com posse. São passos diferentes e consecutivos sendo que os Partidos já foram ouvidos.

Os segundos parecem esquecer-se que ainda há muito a fazer antes dos OE.

Por exemplo, há que reunir a nova Assembleia da República (quando todos os votos forem apurados) para que se dê início à legislatura e se eleja a sua direcção e posteriormente, e mais importante, depois da posse do Governo é imprescindível que o seu Programa seja aprovado em plenário.

Talvez um passeio até à Constituição da República Portuguesa não fosse má ideia antes de se darem palpites.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.017/2019]

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O nosso fado


Não nos bastava ter um Rei que um dia há-de voltar depois de ter partido para معركة القصر الكبير em busca de um sonho que nunca se percebeu e, na calha, um santuário de romaria para um santinho ditador que bateu as botas há mais de meio século.

Temos também um morto-vivo que de vez em quando abre as portas do Convento onde se entrincheirou e masca uma posta de bolo-rei para dar prova de vida depois de ter ressuscitado três vezes.

Ai Amália, recorda-nos lá, do jazigo Panteão que serve de refeitório à malta da Web Summit, as trovas de Homem de Mello:

Povo que lavas no rio / e talhas com o teu machado / as tábuas de meu caixão.
Pode haver quem te defenda, / quem compre o teu chão sagrado, / mas a tua vida não.
Fui ter à mesa redonda, / beber em malga que esconda / o beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste / água pura, fruto agreste / Mas a tua vida não.
Aromas, de urze e de lama, / dormi com eles na cama / tive a mesma condição.
Povo, povo, eu te pertenço, / deste-me alturas de incenso, / mas a tua vida não.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.016/2019]

Ò dona Joacine!

Ò dona Joacine!

Então isto é forma de tratar o fundador honorário do seu Partido?

O Livre tem todo o interesse em contactar e falar com todos os partidos políticos com uma óptica democrática. Neste exacto momento, não temos interesse numa convergência bilateral com nenhum, mas consideramos absolutamente necessário que haja uma continuação de uma convergência e defendemos e estamos disponíveis para participar numa união à esquerda que seja multipartidária

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.015/2019]

Coisas simples


Não quis escrever isto antes em respeito ao luto por Diogo Freitas do Amaral.

Fica agora, aproveitando a saída de Cristas e o regresso de Monteiro e aproveito para fazer um "disclaimer":

Não sou dos que boicotaram os congressos de CDS nem incendiaram sedes do PCP.
Sou dos outros que foram até à Fonte Luminosa de Lisboa quando foi preciso garantir a democracia.


O CDS de Freitas do Amaral, Amaro da Costa, Morais Leitão, Basílio Horta, Sá Machado, Nogueira de Brito, Adriano Moreira e posteriormente de Lucas Pires, entre outros, foi formado com muita gente que vinha do tempo da outra senhora mas que se revia na Democracia-Cristã europeia.
(Para os menores de 45 anos aconselho uma volta pelo GOOGLE para saberem o que era isso).

Foi assim que o CDS se fez o tampão da democracia à extrema-direita.

Os anti-democratas de então - e não pensem que eram todos ricos, basta ver imagens da época tiradas no Terreiro do Paço que o mostram cheio de populares a ovacionar o Botas e depois Marcelo - ao sentirem-se órfãos da ditadura, à falta de melhor e porque não tinham ELP que lhes valesse, acabaram por se acomodar no CDS do qual se foram posteriormente afastando por perceberem o que era a Democracia-Cristã e passaram a andar por aí aos gritos de que no "tempo de Salazar é que era bom", conseguindo que essa imagem chegasse aos tempos de hoje, mesmo a gente que nunca viveu nesses tempos e jamais lhe passará pela cabeça que tempos foram esses.

É recorrente ouvir a frase nos transportes públicos, talvez até mais, do que em carros privados de luxo.

Depois o Manuel Monteiro, então amigo do coração de Paulo Portas, num assomo de grande jocosidade e companheirismo jogou a ideologia democrata-cristã para o lixo e criou o partido personalista PP sem qualquer ideologia, nunca imaginando que seria o próprio PP (Paulo Portas) que lhe viria a dar com a porta na cara.

Depois de Portas vieram outros, entre eles, de novo, Portas e por fim chegou Cristas na mesma onda populista (ou popularucha, como quiserem) não dando tempo ao recém regressado Monteiro que alterasse a sigla do Partido para CDS-AC.

E toda esta História recente contada em linguagem não-científica e corriqueira serve para quê?

Para pouco, confesso, mas talvez suficiente para se começar a perceber porque é que quando os tampões deixam de ter efeito, a nocividade que eles evitavam começa a passar para os ouvidos.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.014/2019]

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Última hora



Já se deu início às obras da Sala do Plenário da Assembleia da República que vizam criar as novas galerias destinadas à instalação dos canis e gatis resultantes do último sufrágio legislativo.

Actualização: A Assembleia da República está a envidar esforços para que o canal DOGTV seja incluído no pacote de cabo que lhe é fornecido pela empresa de tele-difusão contratada.

LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.013/2019]

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Malhar



Ando para aqui sem saber se hei-de fazer, ou não, um textozito sobre os resultados eleitorais mas depois de tantas análises que li pelo Facebook sinto-me um pouco atrofiado não vá cair na tentação de começar a explicar ao povo (como por lá li) de que foram os votos do PCP (nas suas habituais zonas de conforto) que engrossaram a extrema-direita tal como já tinha acontecido em França, etc... etc... etc...

Isto, até porque conheço muitos e bons alentejanos, fachos como o raio-que-os-parta (o que não deixa de os fazer bons alentejanos e bons homens) que não votam habitualmente mas que desta vez foram votar no “rapazito que malha na ciganada subsídio-dependente que lhes costuma acampar junto às herdades” e também conheço muitos outros que, sendo também bons alentejanos e excelentes homens e mulheres (como aliás são na generalidade todos os alentejanos), não votaram no PCP porque, ao verem tantos socialistas apelarem ao voto no BE, preferiram que o PS ganhasse não fosse o BE aliar-se ao PSD no período pós-eleitoral (o que lhes não estranhava dado que o BE sempre disse que PS e PSD são a mesma coisa).

Ainda não foi desta que fiz a tal análise, mas lá chegaremos.

Como diria o Rui Rio não comecem agora a espalhar que estou a fazer tabu.

Tenham calma, tenham calma!
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.0122019]

domingo, 6 de outubro de 2019

Comunicado

Venho uma vez mais agradecer a todos os abstencionistas a confiança que depositaram no meu voto.

Estou sensibilizado com a vossa delegação de poderes e posso garantir que votei a pensar em todos vós.

Obrigado.

LNT
#BarbeariaSrLuis #euvoto #eleicoes2019
[0.011/2019]

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Diogo Freitas do Amaral


Quase sempre estive do outro lado da barricada mas não me é possível deixar de lamentar profundamente a morte de Diogo Freitas do Amaral.

Sem ele a democracia portuguesa teria sido muito mais estranha e muito se lhe deve para que não tenhamos, ainda hoje, em Portugal uma extrema-direita como a que já existe em quase todos os outros países europeus.

Em especial fica a minha palavra de sentido pesar a Domingos Amaral.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.010/2019]

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Manifesto eleitoral


Não farei campanha.

Foi uma jura que fiz a mim próprio no dia em que afastaram António José Seguro com os votos do BE e de um outro Partido fabricado na altura (julgo que o nome era “o Livre”) do lugar para que os militantes do Partido Socialista haviam eleito Seguro.

Diga-se em abono da verdade que só foi possível esta jogada porque alguém muito néscio na equipa do Seguro inventou aquela coisa do voto alargado a não militantes, coisa que havia de ser bonito de ver acontecer, p.e., nas eleições dos corpos directivos do Benfica deixando que os Sportinguistas ou os Portistas votassem em igualdade (ou vice-versa).

Mas votarei, como sempre fiz, no Partido Socialista.

Continuo a rever-me na sua Declaração de Princípios, coisa em que nenhuma outra me consigo fazer rever por inteiro.

E votarei com a intenção de que o PS obtenha a maioria absoluta, embora isso não dependa de mim.

E esta minha declaração pública não se deve à revelação do segredo de lençóis que Catarina Martins revelou a meia dúzia de dias de se realizarem as próximas eleições, até porque sei que ela não o fez para chatear o António Costa mas sim para poder retirar o protagonismo ao PCP da construção de uma solução (coxa e imberbe, no meu entender, porque não responsabilizou os agentes dessa solução obrigando-os a serem parte activa do governo da Nação), mas porque, tal como Manuel Alegre sugeriu no o Público, as aberturas em política só têm validade quando são feitas em público e perante os eleitores, como o fez Jerónimo de Sousa na noite eleitoral, e não nas costas (e ainda para mais no segredo anterior à abertura das urnas de há quatro anos) enganando vergonhosamente aqueles que foram votar sem saber que iriam votar numa solução para a qual não estavam alertados.

Para além do mais sou um fervoroso apoiante da alternância do poder e sei que ela só poderá acontecer se o Partido Socialista obtiver maioria absoluta pois, caso contrário, o PS manter-se-à eternamente na governação e o BE e o PCP no poder, desde que o Partido Socialista ceda às minorias que o ajudam a aprovar os Orçamentos do Estado o protagonismo de parte (e ainda por cima da parte de leão) das benfeitorias que tem promovido e que têm levado os portugueses a viverem de novo a par das suas possibilidades (as tais que Passos Coelho dizia estarem acima daquilo a que eles tinham direito).

E assim, sem entrar em campanha, fica feito o meu manifesto eleitoral.
LNT
#BarbeariaSrLuis
[0.009/2019]